‘Bolsonarismo’ ganha vida própria e cobra deputados por alinhamento ao PT

‘Bolsonarismo’ ganha vida própria e cobra deputados por alinhamento ao PT

Coluna do Estadão

23 de outubro de 2021 | 05h00

Parte significativa do fã-clube bolsonarista ainda não digeriu o decisão de alguns de seus deputados de votar a favor da PEC-5, que tratava da composição do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e que acabou derrotada. O clima de decepção por votos iguais aos do PT ganhou ares de ameaça ao futuro dos aliados de Jair Bolsonaro.

Como vem se tornando recorrente, os governistas disseram ter votado “sim” sem ter tido acesso à última versão do texto. “Explicação” semelhante foi usada na época da ampliação do Fundo Eleitoral. Para além desses ruídos, fica cada vez mais claro que a margem de manobra bolsonarista cai conforme derrete o mito do presidente “independente”.

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Vai vendo. “Cada um vota com sua convicção e se responsabiliza pelo voto”, disse Paulo Junqueira, um dos organizadores do 7 de Setembro.

Ufa. Carla Zambelli (PSL-SP) disse que votou “sim” após acordo de mudanças no texto original, mas não teve tempo de discutir a versão votada. “Uma questão de bastidor, que é difícil de informar às pessoas”. Além dela, outros bolsonaristas como Bia Kicis (PSL-DF) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também apoiaram a PEC-5, que, segundo o Ministério Público, retiraria a autonomia da instituição.

Sinais. “A militância bolsonarista ganhou vida própria”, diz o cientista político Rodrigo Prando. “É um sinal de que o bolsonarismo pode vir a sobreviver mesmo sem Jair Bolsonaro, que, cada vez mais perto da eleição, precisa de um pragmatismo capaz de deixar sua base insatisfeita”, afirma ele.

CLICK. Titular da Secretaria de Governo, Flávia Arruda recebeu Medalha Tiradentes Grã-Cruz, honraria concedida pela PM-DF: “Orgulho de defender essa corporação”.

Deu… Ainda que a “intercambialidade” de vacinas venha aparecendo em notas da Saúde desde julho, só nesta sexta-feira, 22, quem tomou doses de fabricantes diferentes pôde passar a emitir seus certificados de vacinação no ConecteSUS. O ministério ainda não explicou o motivo do longo problema.

…bug? A função foi habilitada no aplicativo do governo em meio a reclamações e questionamentos. Em ofício a Marcelo Queiroga, o governo de São Paulo apontou que a situação ia “contra o preconizado pelo próprio MS na condução da campanha de vacinação”.

O quê? A Associação de Diplomatas Brasileiros afirma ter sido pega de surpresa e se posicionará contra a PEC apresentada por Davi Alcolumbre para permitir que parlamentares ocupem embaixadas sem perder o mandato, o que aumentaria a barganha política por cargos no exterior.

Ponto de vista. “Reconhecemos o papel do Congresso Nacional para a política externa brasileira, mas o preparo para o exercício de chefia é o resultado de toda uma vida funcional de estudos e experiências voltada à formação de diplomatas comprometidos com a defesa dos interesses nacionais no exterior”, disse Maria Celina de Azevedo Rodrigues, presidente da ADB.

Gole. Kim Kataguiri lançará o livro Manual de Debate Político: Como Vencer Discussões na Mesa do Bar, um guia, segundo ele, útil para discutir de maconha a impostos nos botecos.

SINAIS PARTICULARES. Kim Kataguiri, deputado federal (DEM-SP). Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Ação. Presidenciáveis, governadores e parlamentares receberão da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), que reúne 31 bancos e agências de fomento, documento com sugestões de ações concretas para o Brasil cumprir metas de desenvolvimento sustentável.

Discussão. A carta será montada após uma série de debates sobre sustentabilidade que começa na próxima quarta, 27, com painel online sobre economia verde na Amazônia com o ex-diretor do BID Rogério Studart e representantes da ONU, World Resources Institute e do Banco da Amazônia.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA. COLABOROU CAMILA TURTELLI

PRONTO, FALEI!

Fábio Ostermann, deputado estadual (Novo-RS)

“Primeiro a reeleição, a economia a gente vê depois. Foi assim com privatizações (não aconteceram), reformas administrativa e tributária (sabotadas) e agora o teto.”

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