Bezerra, desde sempre, um nome do consenso

Bezerra, desde sempre, um nome do consenso

Coluna do Estadão

21 de setembro de 2019 | 05h00

Foto: Waldemir Barreto /Agência Senado

Se o governo decidir tirar Fernando Bezerra da liderança no Senado, a reação de grande parte da Casa não deverá ser boa. Reforma da Previdência e aprovação de Augusto Aras para a PGR estão, mal ou mal, blindadas. Mas a indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixador em Washington, não. O prestígio de Bezerra pode ser medido por uma articulação até hoje pouco conhecida fora dos bastidores: ele chegou a ser a solução de consenso no momento mais duro da disputa Davi Alcolumbre versus Renan Calheiros pela presidência do Senado.

Menos é mais. Apesar do sorriso no rosto do grupo da CPI da Lava Toga ao ver os adversários insatisfeitos com o Supremo por causa da operação da PF, nada deve mudar nessa seara. Os alvos da CPI são ministros “garantistas” e o ministro que autorizou a operação, Barroso, é um “lavajatista”.

Lá vem… O mau humor do Senado pode, também, contagiar a análise dos vetos da controversa lei de abuso de autoridade.

…marola. Davi Alcolumbre tem adiado a sessão, em um gesto favorável ao governo, mas senadores acham que a operação da PF na Casa pode impulsioná-lo a marcar a data.

Tô fora. Líderes da Câmara acharam muito tímida a defesa de Rodrigo Maia (DEM-RJ) do projeto que flexibiliza regras de uso do fundo eleitoral. Não apostam que ele entrará na articulação para evitar vetos.

Bem… Esses mesmos líderes haviam traçado estratégia para votar rápido o projeto, apenas resgatando o texto anterior e fazendo uma emenda de redação.

…na fita. Foi Maia quem defendeu o processo mais longo, que permitiu reabrir o debate sobre os pontos mais polêmicos, para não ficar mal com a turma da “nova política”.

Foi mal… De todos os “arrependidos” de terem assinado o requerimento de criação da CPI da Lava Jato, um chamou a atenção do entorno de Sérgio Moro.

…de verdade. A deputada Leandre (PV-PR), conterrânea do ministro, enviou recados por diversos emissários até ele para dizer que havia se equivocado.

Know-how. Paulo Guedes consultou o ex-secretário da Receita Everardo Maciel para escolher Tostes Neto para o posto. Maciel, que esteve à frente da secretaria durante os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, sugeriu alguém de carreira, aposentado e experiente.

Dúvida cruel. Da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), sobre a Mega-Sena do PT: “Fico curiosa para saber se continuarão trabalhando pela ideologia de esquerda e se vão socializar o prêmio e doar para o Foro de São Paulo”.

 

SINAIS PARTICULARES. Carla Zambelli, deputada federal (PSL-SP); por Kleber Sales

CLICK. Suspensa pelo PDT, Tabata Amaral (SP) foi escolhida o melhor deputado do ano pelo júri do prêmio Congresso em Foco. “Me sinto muito feliz e honrada.”

Foto: Divulgação/Congresso em Foco

Alívio. Do montante de R$ 1,99 bilhão descontingenciado para a Educação, cerca de R$ 500 milhões devem ser destinados ao ensino superior. A promessa foi verbalizada pela Secretaria Executiva do MEC em reunião com a Comissão Externa. A distribuição deve ser oficializada na próxima segunda-feira.

Alívio 2. O governo federal decidiu desbloquear R$ 8,3 bilhões do Orçamento para ministérios. A Defesa, claro, foi contemplada.

PRONTO, FALEI!

Deputado federal Bibo Nunes (PSL-SP). Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Bibo Nunes, deputado federal (PSL-SP): “O PSL está desintegrado, a briga interna é muito grande. Ou Jair Bolsonaro toma conta do partido ou o próprio presidente não permanecerá nele.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABORARAM BRENO PIRES, ELIANE CANTANHÊDE E GUILHERME BIANCHINI

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