Base pressiona governo e já faz trocas na CCJ

Base pressiona governo e já faz trocas na CCJ

Coluna do Estadão

31 Agosto 2017 | 05h30

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Às vésperas da chegada de uma nova denúncia da PGR contra Michel Temer, líderes da base começaram a pressionar o governo, trocando deputados alinhados com o Planalto dentro da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O troca-troca tem motivo: a insatisfação dos deputados com a falta de pagamento da fatura por terem ajudado a barrar a primeira denúncia contra o presidente. O PR já tirou Laerte Bessa (DF), que votou pelo arquivamento da denúncia, e colocou Jorginho Mello (SC), que se posicionou a favor da investigação.

E tem mais. O mesmo ocorreu no PSD, com a entrada de Expedito Neto (contra Temer) no lugar de Evandro Roman (a favor).

A fatura. No Ministério dos Transportes, o PR pressiona o governo a ceder ao partido a Secretaria dos Portos, comandada pelo ex-senador Luiz Otávio Campos, indicado pelo PMDB.

De olho. Alertado, o Planalto monitora com lupa as mudanças na comissão. Em julho, na véspera da votação da denúncia contra Temer na CCJ, líderes fizeram uma sequência de trocas que resultaram em 13 votos a favor do presidente.

Alvo. Os pedidos da base para impedir que a denúncia avance devem apontar também para o Ministério da Agricultura. Com Blairo Maggi citado na delação do ex-governador Silval Barbosa, deputados do Centrão já estão de olho no seu posto.

Deu ruim. O governo já avalia que administrou mal o decreto que extinguiu a Reserva do Cobre. Além da repercussão negativa no exterior, num momento em que Michel Temer está fora, a decisão deu munição para a oposição pôr de pé uma agenda ambiental.

Apareceu. A mobilização contra o decreto provocou uma rara aparição de Marina Silva ontem no Congresso para engrossar o coro contra a medida.

Adiada. A sessão do Congresso inviabilizou a reunião da comissão especial que votaria proposta antiaborto na Câmara. Foi remarcada para o dia 13.

Haja bigode. Com a aprovação da TLP pela Câmara, sobrou para o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), convencer os integrantes da base aliada a aparecerem semana que vem, em Brasília, no meio do feriado da Independência, para votarem a proposta no Senado.

SINAIS PARTICULARES – ROMERO JUCÁ
ILUSTRAÇÃO – KLÉBER SALES

Vai atrasar. Com os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli fora de Brasília, a sessão da Turma do Supremo Tribunal Federal que iria analisar as denúncias contra o PP e contra o deputado Eduardo da Fonte (PE), marcada para 5 de setembro, será adiada.

Hora extra. O relator Edson Fachin convocou uma sessão extraordinária para o dia 12 de setembro de manhã e outra à tarde no mesmo dia para conseguir liquidar o assunto. As sessões costumam ocorrer apenas na parte da tarde.

CLICK. Apesar de ocupar a Presidência no lugar de Michel Temer, Rodrigo Maia apareceu na sessão da Câmara, que era comandada pelo deputado André Fufuca.

Foto: Coluna do Estadão

Making of. Os primeiros momentos como presidente interino da Câmara de André Fufuca (PP-MA) foram registrados por um cinegrafista profissional, contratado para acompanhá-lo.

Pressão. Um comboio de 15 deputados e senadores pressionou o presidente interino Rodrigo Maia a sancionar o projeto que cria uma linha de financiamento às Santas Casas. O prazo para sanção acaba antes de Temer voltar da China.

 

PRONTO, FALEI!

“O decreto foi tão absurdo que Michel Temer conseguiu uma façanha: uniu toda a oposição em alguma causa”, DO SENADOR JORGE VIANA (PT-AC) sobre o decreto que extinguiu a Reserva do Cobre.

 

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