Avariados, partidos não conseguem pacificação

Avariados, partidos não conseguem pacificação

Coluna do Estadão

05 de fevereiro de 2021 | 05h00

Foto: Dida Sampaio/Estadão

As eleições no Congresso provocaram avarias graves em vários partidos e grupos políticos. Em muitos casos, apenas o tradicional trabalho de funilaria e pintura não será suficiente para recolocar as coisas em ordem nas agremiações: para além das aparências, as traições, rasteiras e manobras oportunistas causaram estragos que inviabilizam a pacificação. Na definição do deputado federal Junior Bozzella (PSL-SP), as eleições nas Casas serviram para o “bolsonarismo se infiltrar nos partidos”, causar novos “rachas” e aprofundar os já existentes.

SP. A crise no DEM pode ter desdobramento capaz de chacoalhar a política paulista e reagrupar a ordem das forças em torno de João Doria: o vice-governador do Estado, Rodrigo Garcia, analisa fortemente deixar o partido de ACM Neto para ingressar no PSDB.

SP 2. Se for concretizado, o movimento praticamente define a sucessão de Doria em 2022, caso o governador tucano consiga concorrer à Presidência da República: Garcia assumiria o Bandeirantes e disputaria a reeleição no cargo.

Dói. Deixar o DEM, no entanto, é uma decisão difícil para Garcia, liberal convicto e esteio do partido no Estado desde muito tempo.

Título. Ala importante do PSDB cobra do partido oposição imediata a Bolsonaro.

Resistência. Deputados desse grupo, porém, dizem que a distribuição de emendas feitas pelo governo em troca de apoio à eleição de Arthur Lira (PP-AL), como revelou o Estadão, dificulta esse processo. Mas lembram que a cobrança virá nas urnas.

Luneta… Baleia Rossi e Simone Tebet se reunirão na semana que vem em São Paulo para fazer um balanço do processo e avaliar quais caminhos o MDB deve seguir a partir de agora, principalmente em relação a Jair Bolsonaro.

…na mão. Emedebistas ligados à dupla avaliam que, tanto Baleia quanto Simone, podem representar uma renovação da sigla, mas para isso o partido precisa ter um norte à vista.

Dedo… Para o presidente do PSB, Carlos Siqueira, a interferência direta de Bolsonaro nos partidos prova que o sistema político precisa ser reformado.

…na ferida. “Precisamos de menos partidos e que sejam mais programáticos, mais previsíveis. Caso contrário, vamos andar mais ainda em direção ao autoritarismo”, disse à Coluna.

Eu sou você… Bozzella lembra que o PSL já viveu esse filme antes.

…amanhã. “Agora, pelo menos, se separou o joio do trigo, os deputados se revelaram. Os partidos devem avaliar as traições e fazer uma reorganização para 2022. Só emenda, só espaço em comissão não reelege deputado”, disse.

É tetra. Presidente do PP e um dos principais articuladores da campanha de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara, o senador Ciro Nogueira (PI) reivindicou a vitória no bolão feito entre colegas. Afirma ter cravado os 302 votos que Lira obteve na disputa.

SINAIS PARTICULARES.
Ciro Nogueira, senador (PI) e presidente do Progressistas

Ilustração: Kleber Sales

Avanço. O Ministério da Saúde aprovou na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias a análise inicial para uso pelo SUS do canabidiol 200 mg/ml para tratamento de epilepsias refratárias das crianças e dos adolescentes.

Como assim? Só uma empresa, porém, poderá fazer essa venda ao sistema de saúde público, mesmo com outros medicamentos se enquadrando nos critérios. Os players existentes no Brasil reconhecem o avanço na discussão, mas questionam a exclusividade e pedem amplo debate para a abertura do mercado.

Explica aí. Os deputados federais Paulo Teixeira (PT-SP) e Luciano Ducci (PSB-PR) questionaram a Fiocruz quando a fundação assinou acordo de cooperação técnica com a Prati Donaduzzi, mas ainda não obtiveram detalhes do contrato.

CLICK. No “tour do 5G”, o ministro das Comunicações, Fábio Faria (à dir.), se reuniu com o ministro da Infraestrutura Digital da Suécia, Anders Ygeman, e visitou o centro de protótipos da Ericsson.

Reprodução/Twitter

PRONTO, FALEI! 

Deputada do PSL Janaina Paschoal Foto: RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS

Janaina Paschoal, deputada estadual (PSL-SP): “Tenho profundas divergências ideológicas com as deputadas federais Bia Kicis e Carla Zambelli, mas acho muito curiosa a raivosa reação à indicação de ambas para importantes cargos na Câmara Federal. Bradam que ‘são investigadas por atos antidemocráticos’. Ora, esse crime sequer existe no nosso ordenamento.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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