Auxílio dá fôlego a ‘bolsonaristas’ no Nordeste

Auxílio dá fôlego a ‘bolsonaristas’ no Nordeste

Coluna do Estadão

05 de agosto de 2020 | 05h00

O presidente Jair Bolsonaro em aeroporto no Piauí em julho Foto: André Pessoa/Estadão

Embora diga que não apoiará ativamente nenhum candidato nas eleições municipais, o presidente Jair Bolsonaro caminha para contar com uma rede de apoio no Nordeste, região onde ele foi menos votado em 2018. A maioria das capitais nordestinas tem hoje pré-candidatos dispostos a empunhar as bandeiras do “bolsonarismo”, especialmente após o advento do auxílio emergencial de R$ 600. “Em algumas pesquisas, quando o candidato diz que ele é ‘do Bolsonaro’, obtém cerca de 15% de intenção de voto”, diz Bruno Soller, do Instituto Travessia.

Eita! Segundo Soller, em um cenário fragmentado, esse patamar de largada pode levar um candidato “bolsonarista” até o segundo turno, em uma polarização com a esquerda, historicamente forte no Nordeste.

Nomes. Lúcio Flávio (Avante), em Aracaju; Coronel Alberto Feitosa (PSC), no Recife; Walber Virgolino (PRTB), em João Pessoa; Cézar Leite (PRTB) ou Alexandre Aleluia (DEM), em Salvador; Coronel Hélio (PRTB), em Natal, e Capitão Wagner (PROS), em Fortaleza, são hoje os “bolsonaristas” do Nordeste.

Currículo. Ah, Wagner foi o agitador da greve dos policiais no Ceará.

De fora. Por enquanto, Bolsonaro mantém o propósito de não declarar apoios oficialmente. Entre outros fatores, teme os “caroneiros”, que podem dar dor de cabeça no futuro. O presidente também não quer ter seu nome vinculado a um fracasso eleitoral.

Lá na frente. Sem partido, Bolsonaro avalia se posicionar no segundo turno, ainda mais se o embate for com a esquerda petista.

Amigos. Gilson Machado, o sanfoneiro das lives, por exemplo, é próximo do Coronel Feitosa (PSC).

Assim falou… A bola ainda está rolando no campo da opinião pública, porém. Se o auxílio emergencial ajuda candidaturas bolsonaristas, a catástrofe da covid-19 será cobrada.

…Bolsonaro. Com o País perto da marca de 100 mil mortes, nunca é demais lembrar a frase dita pelo presidente em 20 de março: “Não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar”.

SINAIS PARTICULARES.
Jair Bolsonaro, presidente da República

Ilustração: Kleber Sales

Eu vou. O ministro da Justiça, André Mendonça, vai conversar com senadores na sexta-feira sobre a história do dossiê contra funcionários públicos vistos como “antifascistas”. A sessão será remota e fechada para os integrantes da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência.

Vem também. Mesmo com a exoneração de Gilson Libório de Oliveira Mendes, responsável pela área que produziu o dossiê, o PSOL protocolou requerimento para que ele dê explicações sobre o caso.

Ação. A exoneração de Mendes se deu, entre outros motivos, para que a sindicância interna aberta pela pasta possa ser realizada sem constrangimentos.

CLICK. Bolsonaro recebeu ontem, no Planalto, o pré-candidato à prefeitura de João Pessoa Walber Virgolino (à dir. do presidente), deputado estadual do Patriota.

Reprodução/Instagram

Sério? Eduardo Pazuello recebeu Emilio Gadelha, presidente da Sociedade Brasileira de Ozonioterapia. Não há comprovação científica sobre o tratamento no combate à covid-19.

Live. Os secretários do governo de São Paulo Henrique Meirelles (Fazenda) e Júlio Serson (Relações Internacionais) participam hoje de webinar com a presidente da Council of the Americas, Susan Segal. Na pauta, oportunidades de negócio no Estado.

PRONTO FALEI!

Deputado Marcelo Ramos. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Marcelo Ramos, deputado federal (PL-AM): “Só governos totalitários exigem alinhamento ideológico de funcionários que servem ao Estado e não ao governante da hora”, sobre o dossiê que investigou supostos ‘antifascistas’.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU MATEUS VARGAS.

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