‘Autocrítica’ vira anedota política, e PT tenta impor sua narrativa eleitoral

‘Autocrítica’ vira anedota política, e PT tenta impor sua narrativa eleitoral

Coluna do Estadão

21 de novembro de 2021 | 02h00

Dois anos após Lula ter dito que o PT não precisa de autocrítica, o partido  chega às portas de 2022 empenhado em retomar o controle da agenda  eleitoral do País, perdido em 2018 com os impactos da Lava Jato, da recessão provocada por Dilma, das reformas de Temer  e da prisão de Lula. A nova narrativa petista, ajudada pelo desgoverno de Bolsonaro e pelos arroubos “lavajatistas”, está estruturada nos seguintes termos: a) Lula é vítima inocente; b) a  agenda social é monopólio petista; c) contra Bolsonaro, qualquer opção  que não seja Lula é antidemocrática; c) quem critica Lula está alinhado a Bolsonaro; d) não se fala mais em corrupção e reformas. Contrapor-se a  esse discurso é o desafio da terceira via à esquerda.

POLOS. Do outro lado da polarização, Bolsonaro perdeu, ao menos por ora, o controle da agenda eleitoral com a derrota do “voto impresso e auditável”, que afundou sua narrativa de “eleições sob suspeita”. Mas ele sempre terá sua guerra cultural e ainda mantém a primazia do “antipetismo”.

SE LIGA. Com a tentativa de pintar Lula como o único capaz de garantir a democracia no País, o PT quer colocar a terceira via no mesmo balaio de Bolsonaro.

DE… O PT agarrou firme o leme  da narrativa eleitoral em  2002, quando a  “agenda da desigualdade” e da “mudança” pautou a disputa, mesmo após  o sucesso econômico  do Plano Real e dos programas sociais lançados por FHC.

…NOVO. Na Europa, 20 anos depois e sob impacto da covid-19, Lula acaba de reciclar o tema:  “o mundo precisa se curar do vírus da desigualdade”.

A VER. Por falar em falta de renovação e de autocrítica, Aécio Neves tem seu futuro em jogo hoje, 21, nas prévias do PSDB. Se João Doria sair vencedor, o entorno do governador dá como certa a abertura de um  processo de expulsão do deputado mineiro do partido.

SINAIS PARTICULARES (por Kleber Sales), Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB

NO MURO. Bruno Araújo, presidente do PSDB, se equilibrou na disputa entre Eduardo Leite e João Doria, pressionado pelos dois lados. Chega ao dia decisivo sem ter declarado publicamente seu apoio.

RETA FINAL. Pesquisa de intenção de votos com advogados paulistas indica disputa apertada pelo comando da OAB-SP. A candidata de oposição Patrícia Vanzolini e o presidente atual, Caio Augusto, aparecem empatados na ponta. Em outro bloco, estão Dora Cavalcanti, Alfredo Scaf e Mário Oliveira. O  número de indecisos  é alto.

RETA FINAL 2. O comparecimento às urnas, dia 25 próximo, será crucial para a definição do novo presidente. O levantamento foi feito pelo  Instituto Opinião Pesquisa e ouviu 800 advogados entre os dias 10 e 19 deste mês.

CLICK. Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura

Cantor e compositor, agora membro da ABL, publicou foto para marcar o Dia da Consciência Negra: “A história, cultura e luta do povo preto não são ensinadas nas escolas. Mas ficam eternizadas em seus legados, através de seus relatos falados e escritos, sua arte, festas e música”. 

VIDAS NEGRAS. Fundadora do Innocence Project Brasil, Dora Cavalcanti participa de debate sobre a relação entre racismo e sistema carcerário, hoje, 21, na Expo Internacional Dia da Consciência Negra, no Anhembi, em São Paulo.

PRONTO, FALEI!

Rui Falcão, deputado federal (PT-SP)

“Bolsonaro, mais uma vez, tenta manipular a história. Mandou trocar Golpe de 64 por ‘revolução’, nas provas do Enem. Essa é a cara do fascismo.”

Com reportagem de Alberto Bombig e Camila Turtelli 

 

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