Áudios de Arthur do Val dão palco a bolsonaristas para ‘deitar e rolar’ nas redes

Áudios de Arthur do Val dão palco a bolsonaristas para ‘deitar e rolar’ nas redes

Camila Turtelli e Matheus Lara

11 de março de 2022 | 05h00

O deputado estadual Arthur do Val, em vídeo em que comenta os desdobramentos de suas declarações, pelas quais se desculpou. Foto: Reprodução/Youtube Canal Mamãe Falei

Acostumado a mobilizar debates e até ditar tendências políticas com sua forte presença nas redes, o Movimento Brasil Livre (MBL) terá de catar os cacos de uma derrota significativa em um de seus terrenos prioritários de disputa. De acordo com levantamento da .MAP para a Coluna, os áudios com comentários machistas do deputado estadual Arthur do Val (SP) sobre refugiadas ucranianas viraram uma munição que acabou sendo bem aproveitada por adversários, sobretudo pela direita bolsonarista no Twitter e no Facebook. Perfis dessa bolha de apoiadores do governo Bolsonaro tomaram a frente nas críticas ao deputado estadual e representaram 51% do debate sobre os áudios.

APROVEITOU. O “caso Arthur” também impactou o debate eleitoral para presidente. Ainda fraco em presença digital, Sérgio Moro (Podemos) teve um pico de menções positivas (67%), ante 43% na semana passada, após reagir rapidamente contra as declarações. Arthur era o pré-candidato do Podemos ao governo de São Paulo. Pediu desfiliação da sigla, abriu mão da disputa eleitoral e também se desligou do MBL.

SURFOU. Paralelamente ao barulho causado pela polêmica, Jair Bolsonaro (PL) viu menções positivas a seu nome passarem de 43% para 59%. Para a .MAP, parte do aumento se explica pela diminuição da vantagem em relação a Lula (PT) nas últimas pesquisas.

BASE. O levantamento da .MAP leva em conta cerca de 2,5 milhões de publicações no Facebook e no Twitter e os dados mostrados na Coluna são referentes à semana entre 1.º a 8 de março.

APELIDO. Em meio aos impasses entre o Senado e o governo no pacote do combustível, o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), elogiou o relator das propostas, Jean Paul Prates (PT-RN), e o apelidou de “Jean Paul Prático”, rendendo gargalhadas no plenário.

FORA. A indústria local de fertilizantes teme que ações recentes do governo possam perpetuar a dependência externa. “O setor vem sofrendo com medidas que beneficiaram as importações”, disse Bernardo Silva, diretor do Sindicato das Indústrias de Matérias Primas para Fertilizantes (Sinprifert).

CLICK. Pastor Sargento Isidório, deputado federal (Avante-BA)

Nos últimos dias, o parlamentar resgatou acessórios usados durante a votação do Marco Legal do Gás, para votação dos combustíveis no Congresso.

ASSIM NÃO. Para ele, apesar de o Plano Nacional de Fertilizantes diminuir a dependência da importação a longo prazo, uma redução do frete marítimo, proposta de Paulo Guedes, será um balde de água fria. A Economia, por sua vez, diz que a medida está em discussão e é para todos os setores.

DE OLHO. Carlos Siqueira vai espiar de longe, mas atentamente, o desenrolar da federação entre PT, PV e PCdoB durante os próximos quatro anos, após seu PSB dizer não ao casamento. Pesou o temor de ser “engolido” pelo PT.

SINAIS PARTICULARES (por Kleber Sales). Carlos Siqueira, presidente do PSB

NEW KIDS… O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, integrou a lista pessoal de 26 convidados do novo presidente chileno Gabriel Boric, que toma posse hoje em Santiago. Será o único dirigente partidário brasileiro na cerimônia.

…ON THE BLOCK. Além de Medeiros, Boric também chamou líderes do Podemos (Espanha), Nuevo Peru (Peru) e DSA (Estados Unidos). Para o PSOL, o encontro sinaliza a aposta de Boric e outros líderes na formação da chamada “nova esquerda”, antes fortemente influenciada pelo Foro de São Paulo na América Latina.

PASSADO. “Há um esforço em estabelecer uma rede de articulação que proponha uma renovação das esquerdas, superando o que existia até poucos anos, muito concentrada no Foro, sob influência de políticas que demonstraram seu limites, como na Nicarágua”, disse Juliano Medeiros à Coluna.

PRONTO, FALEI! Sérgio Rosenthal, advogado criminalista

“STF se recusou a permitir que o Fisco, com o apoio do MP, passasse a coagir os contribuintes a pagar tributos, sem que se saiba, ao certo, se realmente devidos.”

COLABOROU DANIEL WETERMAN

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