Atraso do TSE alimenta conspiração e intrigas

Atraso do TSE alimenta conspiração e intrigas

Coluna do Estadão

16 de novembro de 2020 | 05h00

Fachada do TSE em Brasília: FOTO: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Os problemas na contabilização dos votos nas eleições municipais ocorreram em má hora, avaliam ministros do STF e do TSE. Seja porque alimentam desvairadas teorias conspiratórias, seja porque as explicações para os reveses foram confusas. Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, alegou que a centralização dos dados em Brasília está na raiz das falhas. Segundo ele, a decisão já estava tomada quando assumiu o cargo e não contou com sua simpatia. Não pegou bem na Corte. A antecessora de Barroso foi Rosa Weber. Depois, Barroso tentou minimizar o mal-estar. Não colou.

Passo atrás. Se outrora havia até certa competição para que uma apuração fosse mais rápida do que a anterior, desta vez, os brasileiros viveram horas de angústia para saber dos resultados. O comentário geral nos bastidores do mundo jurídico foi de decepção.

Xá comigo. Antes, cada TRE contabilizava os votos e os enviava para Brasília. O novo processo, apesar de lento, custou menos aos cofres públicos. Porém, não se mexe em time vencedor, alerta um ex-membro do TSE. Já nesta segunda-feira, Barroso afirmou: “só três horas de atraso”. Aff.

Para… Na representação protocolada pelo PSDB em 2014 na Justiça Eleitoral, após derrota de Aécio Neves para Dilma Rousseff (PT), os tucanos citavam a decisão do TSE de só divulgar o resultado quando a votação estivesse definida (o Acre estava horas atrás do horário de Brasília).

…lembrar. A auditoria não encontrou erro na apuração, mas o episódio serviu para alimentar uma desnecessária nuvem de questionamento e radicalização política a respeito do sistema eleitoral brasileiro.

Sai maior. DEM levou duas importantes capitais no primeiro turno. Aumentou seu cacife como força de centro para 2022.

Sai menor. Não satisfeita em colher tremenda derrota eleitoral (na condição de nanica), Joice Hasselmann (PSL) escolheu também a derrota política: endossou post que aventava fraude na eleição sem nenhuma prova ou indício.

Sai menor 2. Jilmar Tatto (PT) insistiu na candidatura. Lula não se opôs.

CLICK. Fernando Henrique Cardoso (à dir.) votou em colégio no bairro de Higienópolis. Estava acompanhado de Bruno Covas (PSDB) e criticou a “arrogância” do governo federal.

Reprodução/Instagram

Prepara. O embate com Guilherme Boulos (PSOL) no segundo turno, obrigará Bruno Covas (PSDB) a mudar radicalmente sua campanha na internet, na opinião de Manoel Fernandes, da Bites Consultoria. A estratégia de Boulos foi considerada um case de sucesso, o que poderá ser essencial nesta etapa.

CQD. Os recordistas de menções no Twitter ontem (até às 17h) foram Boulos, Celso Russomanno (Republicanos) Covas e Márcio França (PSB), de acordo com a consultoria. Boulos, sozinho, teve 86 mil posts, enquanto os outros, somados, chegaram a 23,3 mil.

Apoio. Fora do segundo turno em São Paulo, o Republicanos deverá declarar apoio à Bruno Covas. De acordo com lideranças do partido ouvidas pela Coluna, Russomanno perdeu parte de seus votos para Covas, seguindo uma lógica parecida com o que aconteceu com Boulos, o do voto útil.

Freio… Do presidente do PSB, Carlos Siqueira, sobre o retrato das eleições municipais para os partidos e o espectro ideológico: “O momento ainda é da direita. A política tem dessas ondas, na democracia a roda gira. Este segue sendo o momento da onda para a direita”.

…de arrumação. Segundo Siqueira, “na medida em que cresce a centro-direita, DEM e PSDB, principalmente, forma-se uma força política que vai se contrapor ao extremismo antidemocrático de Jair Bolsonaro”.

Auch. Siqueira lamenta que em muitas capitais não houve unidade dos partidos de esquerda. No Rio, em especial. “O PT não entendeu e resolveu jogar em faixa única. Se a realidade servir para alguma coisa, deve tirar alguma lição”.

Então… O apoio do governo Jair Bolsonaro à iniciativa americana contra o 5G chinês (Clean Network) acendeu uma luz amarela na Esplanada: há medo de retaliação dos chineses.

…é Natal. Aliás, já são tantas luzes amarelas e vermelhas acesas, brincou um governista, que se pode acender a árvore de Natal.

SINAIS PARTICULARES.
Jair Bolsonaro, presidente da República

Ilustração: Kleber Sales

PRONTO, FALEI! 

Ministro da Justiça, Sérgio Moro. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública: “Há alguns resultados interessantes, os candidatos apoiados pela Presidência fracassaram e o PSOL tornou-se o partido de esquerda mais relevante.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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