Atos devem acirrar os ânimos e a polarização

Atos devem acirrar os ânimos e a polarização

Coluna do Estadão

27 de maio de 2019 | 05h00

FOTO: TABA BENEDICTO/ESTADÃO – 26/5/2019

Líderes do Parlamento viram uma inegável demonstração de força de Jair Bolsonaro nas manifestações, porém restrita a um grupo fiel e muito peculiar de apoiadores e de pouca serventia neste momento. “Não precisamos de pressão pra aprovar a reforma da Previdência porque temos compromisso para com o País e a agenda econômica”, diz Marcelo Ramos (PR-AM), presidente da Comissão Especial da Câmara. Por essa visão, na prática, o saldo dos atos foi acirrar os ânimos no Legislativo e aumentar a polarização com a esquerda nas ruas.

Ainda em alta. Se a necessidade da reforma da Previdência foi incorporada por líderes do Congresso, o mesmo não se pode dizer do pacote anticrime de Sérgio Moro. Por isso, o forte apoio ao ministro da Justiça nos atos joga, sim, pressão sobre o Parlamento.

Pauta econômica. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) participou do ato em Porto Alegre e defendeu Guedes, a privatização da Petrobrás e da Eletrobrás. Foi aplaudido, mesmo sem ter elogiado o presidente Jair Bolsonaro.

Vai ter troco. Quem conhece bem Rodrigo Maia (DEM-RJ) diz que o presidente da Câmara não costuma reagir com serenidade e desprendimento às críticas e às provocações, como o boneco dele vestindo a camisa do Botafogo.

Agora? Um grupo de deputados, do PCdoB ao PSL, colhe assinaturas para a criação da Frente Parlamentar do Parlamentarismo. Eles pediram ainda que uma PEC antiga, de autoria do Bonifácio de Andrada, entre na ordem do dia.

Pra depois. O grupo admite que pode soar antidemocrático, com apenas 5 meses de governo Bolsonaro, falar em mudança de sistema. Por isso, diz que a proposta é pensar o futuro.

Modelo. Uma outra ala da Câmara defende que, antes de qualquer medida, seja realizado um plebiscito, como foi feito em 1993.

Melhor não. Um presidente de partido de centro avalia que qualquer discussão sobre parlamentarismo neste momento será um tiro no pé: dará substância às teorias conspiratórias da ala ideológica do governo.

SINAIS PARTICULARES
GOVERNADORES
Ratinho Júnior (PSD-PR)

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Saída… O projeto que criminaliza a homofobia, costurado por lideranças evangélicas do Congresso, deve mirar homicídios e violência física, deixando fora agressões verbais. A ideia é blindar os pastores. Os evangélicos têm conversado com o PT e o PSOL.

… à direita. Segundo um deputado, Bolsonaro acompanha as articulações e está empenhado em assinar uma lei “que em mais de uma década os governos de esquerda não conseguiram”. Seria uma forma de o presidente se afastar do rótulo de homofóbico.

CLICK. Os governadores tucanos Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP) confraternizam após reunião do Consórcio de Integração Sul e Sudeste, realizada em Gramado.

FOTO: DIVULGAÇÃO/GOVERNO DE SÃO PAULO

Fora… Uma semana após o lançamento do Saúde na Hora, 277 unidades em 15 Estados se inscreveram. O programa do Ministério da Saúde incentiva os postos de saúde a permanecerem abertos na hora do almoço ou depois do expediente para atender quem trabalha.

…do expediente. A meta é ter 1.000 unidades funcionando por 60 horas ou 75 horas semanais. Hoje, 99% delas funcionam por 40 horas. Serão injetados R$ 150 milhões no projeto, uma das principais apostas do governo Jair Bolsonaro na área da saúde até agora.

BOMBOU NAS REDES

Janaina Paschoal. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Janaína Paschoal, deputada estadual do PSL-SP: “A sabedoria popular corrigiu os excessos. Os cartazes pela CPI da Lava Toga não podem ser confundidos com pleitos autoritários”, sobre os atos.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA

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