Após áudio, ministro do Trabalho demite secretário executivo

Após áudio, ministro do Trabalho demite secretário executivo

Naira Trindade

21 Novembro 2018 | 10h42

Divulgação/ Ministério do Trabalho

O ministro do Trabalho, Caio Veira, dispensou seu secretário executivo, Admilson Moreira, depois que a Coluna revelou um áudio dele enviado a um grupo de WhatsApp de auditores fiscais em que aponta aparelhamento da máquina pública por partidos que comandaram a pasta, como PT, PDT, Solidariedade, PTB, além da Força Sindical e da bancada evangélica. A exoneração da função que exercia está no Diário Oficial da União de hoje. Admilson volta a ser auditor fiscal na pasta.

Na gravação revelada pela Coluna, Admilson afirmou que “a coisa degringolou mais ainda, porque juntou esse aparelhamento sindical à ânsia do PTB de se locupletar”. Ainda acusou a bancada evangélica de também ter bebido “dessa fonte” e o ministério, de não estar dedicado ao “interesse social”.

O áudio abriu uma crise na Esplanada e motivou o ex-ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira a entrar com requerimento de convocação de Caio Vieira na Comissão do Trabalho da Câmara. “O ministro vai ter de explicar também sobre as autuações de trabalho escravo a que responde”, diz Nogueira. A assessoria do Ministério do Trabalho não quis se manifestar.

Aos colegas auditores, Admilson traçava uma forma de “se infiltrar” na equipe de transição de Bolsonaro para poder defender a manutenção do ministério. Ele ainda acusou o coordenador de assuntos jurídicos de Bolsonaro, Pablo Tatim, de querer “fatiar” a pasta.

Procurado, o secretário disse se tratar de gravação “de interesse privado” e que apenas relatou fatos noticiados pela imprensa ao falar de aparelhamento por partidos. Em relação a Tatim, Admilson reafirmou a crítica e atribui a ele a ideia de desmembrar o ministério. (Naira Trindade)

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