Apoiador de primeira hora de Bolsonaro, agronegócio se divide e busca alternativa na terceira via

Apoiador de primeira hora de Bolsonaro, agronegócio se divide e busca alternativa na terceira via

Camila Turtelli e Matheus Lara

23 de fevereiro de 2022 | 05h00

O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia de entrega de títulos de propriedade rural em Mato Grosso do Sul, em maio de 2021. Foto: Marcos Correa/Planalto.

O agronegócio pode entrar dividido nas eleições presidenciais. A ala mais pragmática do setor, ligada à agroindústria, quer uma alternativa depois de ter sentido na pele o risco de situações geradas pelo próprio governo. O grupo teme a concretização de ameaças de boicote às exportações por brigas ideológicas com a China, pelo avanço do desmatamento e pela resistência à venda de terras para estrangeiros. Crescem as apostas na entrada do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), já que os demais nomes da terceira via ainda não despontaram na corrida. Se as pesquisas mostrarem potencial, “o agro que não quer guerra vai apoiá-lo”, garantiu um representante do setor.

FIÉIS. Bolsonaristas “raiz”, por outro lado, negam que as polêmicas afetem o desempenho do presidente Bolsonaro entre eleitores do agronegócio. “Eles (China) precisam tanto de nós quanto nós deles. Ficam criando essa celeuma que não existe. Política é uma coisa, comércio é outra”, disse Frederico D’Ávila, ex-vice presidente da Aprosoja Brasil.

CADA UM NA SUA. Até lá, no entanto, deve reinar a neutralidade institucional. Representantes do setor, como a Sociedade Rural Brasileira (SRB), não devem apoiar oficialmente nenhuma candidatura, pelo menos por enquanto.

OUTROS TEMPOS. Em 2018, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) declarou apoio a Bolsonaro ainda no primeiro turno. Na época, a bancada ruralista era liderada pela então deputada Tereza Cristina, a atual ministra da Agricultura.

CLICK.  Filipe Barros, deputado federal (PSL-PR)

Relator do voto impresso na Câmara, proposta derrotada em 2021, parlamentar bolsonarista ainda insiste em questionar o sistema eletrônico nas redes.

FICA… Enquanto PT e PSB buscam rumos para fechar uma federação, nos bastidores pessebistas cresce o clima de desconfiança. Lideranças têm sinalizado ao presidente do PSB, Carlos Siqueira, o temor de que o partido saia apequenado: apoiar Lula sem ter garantias claras de vantagens, numa federação ou não, não agrada.

…ESPERTO. “Neste momento (a federação com o PT) é uma salvaguarda para o PSB porque não temos chapa em vários Estados. Se a gente não formar federação, estamos fadados a um insucesso grande nas urnas. O PSB não tem saída. Mas o que a gente leva em troca?”, disse Júlio Delgado (MG).

TAL PAI. O PL paulista se prepara para realizar um evento de filiação do deputado Eduardo Bolsonaro no próximo dia 3 de março. O partido acredita que o filho “03” de Bolsonaro será um puxador de votos.

JOGATINA. Relator do projeto que libera os jogos de azar no Brasil, o deputado federal Felipe Carreras (PSB-PE) tenta até o último segundo o apoio ou pelo menos a não resistência da bancada evangélica para a aprovação do tema.

VAI E VOLTA. O projeto de lei, caso aprovado pelo Congresso, corre o risco de ser vetado por Bolsonaro, mas os parlamentares já articulam a derrubada dessa possível medida do presidente da República.

SINAIS PARTICULARES (por Kleber Sales). Filipe Barros, deputado federal (PSB-PE)

PRONTO, FALEI! Renan Calheiros, senador (MDB-AL)

“Bolsonaro tem desdém por ritos democráticos. Desprestigiar a posse da nova presidência do TSE é só mais uma manifestação do desprezo às instituições.”

COLABORARAM GUSTAVO QUEIROZ E LEVY TELES

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