Aos poucos, Carlos França vai mudando perfil da política externa sob Bolsonaro

Aos poucos, Carlos França vai mudando perfil da política externa sob Bolsonaro

Coluna do Estadão

16 de agosto de 2021 | 02h00

Bolo de aniversário para embaixador argentino, contato com a oposição no Congresso e silêncio diante de polêmicas do presidente estão entre as estratégias citadas por diplomatas para reconhecer o esforço de Carlos França para recuperar a imagem da política externa brasileira após o caos provocado pelo furacão Ernesto Araújo. O Itamaraty, agora, se empenha em fazer o que o “olavismo”, associado ao ex-ministro, o impediu: política. França tem buscado diálogo inclusive com a China, alvo constante do “bolsonarismo”. A diplomacia ainda pulsa.

Menos… Claro, a política externa ainda está aquém da tradição do Itamaraty. Porém, neste momento, menos pode ser mais.

..é… O silêncio de França após o encontro fora da agenda de Jair Bolsonaro com Beatrix von Storch, deputada alemã de partido investigado por propagar ideias neonazistas, é apontado como simbólico.

…mais.
Ao não dar eco às polêmicas do presidente, como costumava fazer Ernesto, França achou uma forma de tentar blindar a diplomacia brasileira.

Análise. “A reconstrução é desafiadora porque um governo que representa ameaça às instituições faz com que sua credibilidade tenha que ser recuperada diante do mundo”, diz cientista político Rafael Cortez, da Tendências.

Tá… Deputados suspeitam que a decisão sobre as emendas da Saúde que serão pagas têm sido tomadas na presidência da Câmara.

…bem… As emendas são impositivas, é o governo que decide quando devem ser pagas. A desconfiança de deputados descontentes é de que a direção da Casa escolhe quem deve ser priorizado no processo.

…estranho. O caminho tem sido a emenda “cheque em branco”, que permite a parlamentares mandarem verbas direto para suas bases. O dinheiro pinga na conta em 60 dias. O caminho normal leva um ano.

SINAIS PARTICULARES, Simone Tebet, senadora (MDB-MS)

Diz… Simone Tebet recorreu a uma anedota dos tempos do ilustrado Rui Barbosa para ironizar a postura do governo federal no caso da Covaxin.

…pra mim. Diante de um ladrão que surrupiava os galináceas, o jurista teria feito um discurso tão rebuscado que levou o atônito larápio a perguntar: levo ou não levo as galinhas? “O que eu faço diante de todas as irregularidades que vejo nesse caso?”, questiona a senadora do MDB-MS.


CLICK. O ex-senador Paulo Bauer, muito influente em Santa Catarina, declarou voto em João Doria nas prévias tucanas para escolher o candidato à Presidência. “Se nós não temos o privilégio de ter um catarinense para ser o presidente da República, então, vamos ter uma primeira-dama catarinense”, disse o ex-senador, referindo-se a Bia Doria, nascida em Pinhalzinho (SC).

De olho. Depois de abandonar o processo seletivo para definir o postulante do Novo ao Senado em 2022, o deputado estadual Heni Ozi Cukier (SP) virou sonho eleitoral do MBL, que já faz barulho pela chapa encabeçada por Arthur do Val (Patriota) como candidato ao governo de São Paulo.

Deu match. O deputado já encampou campanhas do MBL contra Bolsonaro e Lula e, assim como o grupo, fala a favor da construção de uma terceira via eleitoral. “Seria um grande reforço para a chapa na disputa ao Senado”, disse o vereador paulistano Rubinho Nunes (PSL), do MBL.

Volta aqui. O impasse é a definição de uma sigla não só para Cukier, ainda no Novo, mas também para os membros do MBL, hoje “espalhados” entre Patriota (Do Val e Amanda Vettorazzo), DEM (Kim Kataguiri) e PSL (Nunes). O movimento aposta no PSL, mas impõe condição: só entra se os bolsonaristas saírem.

PRONTO, FALEI!
Ciro Gomes (PDT), presidenciável

“Bolsonaro quer jogar sua ruidosa horda de apoiadores na rua, provocar convulsão social e requisitar os célebres mecanismos da lei e da ordem que justifiquem alguma ação militar.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA

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