Ao planejar futuro partidário, Bolsonaro aposta em fim da tempestade

Ao planejar futuro partidário, Bolsonaro aposta em fim da tempestade

Coluna do Estadão

06 de junho de 2021 | 02h00

Enquanto o entorno do presidente avalia que já está passando da hora de ele se filiar a um partido, Jair Bolsonaro tem o seu próprio ritmo e não vê necessidade de pular na primeira canoa: acha que seu passe aumentará nos próximos meses. Embalado pelo recente resultado do PIB e com uma receita de programa social quase pronta para ir ao forno, Bolsonaro entende o tempo como aliado: partidos maiores vão procurá-lo quando a tempestade amainar e, mesmo se isso não acontecer, estará mais forte para exigir o controle total de siglas menores.

Dindim. A aposta é arriscada, mas faz sentido. Se Bolsonaro for mesmo para o pequeno Patriota, não terá um Fundo Eleitoral para gastar às largas na campanha do ano que vem.

Dindim 2. Os três partidos que Bolsonaro dá como certos numa coligação, PP, PL e Republicanos, têm dito nos bastidores que não ajudarão com recursos a candidatura presidencial.

Quem… Os três estão focados em turbinar bancadas no Congresso, em especial, na Câmara. Claro, mesmo fechando a torneira do dinheiro, esses três partidos podem garantir a Bolsonaro bom tempo TV, algo que ele não teve em 2018.

…sabe… Agora, se ficarem com a vaga de vice na chapa ou mesmo se filiarem Bolsonaro, PP, PL e Republicanos terão de botar dinheiro na candidatura do presidente à reeleição…

Cifra. A conta de padeiro nos bastidores é mais ou menos esta: R$ 10 milhões do Fundo Eleitoral são insuficientes para uma campanha presidencial, mas muito para as de deputados federais e de senadores.

Montado na grana. Por isso, conselheiros políticos de Bolsonaro e dirigentes partidários insistiram para que o clã voltasse para o PSL, que estima ter R$ 500 milhões de fundo para torrar no próximo ano.

Não rola. Flávio, inicialmente, era adepto dessa tese, mas costuma dizer: “Temos CPFs diferentes”.

Passa o rodo. O PP quer eleger entre 50 e 60 deputados em 2022 e anda conversando com insatisfeitos do DEM. O movimento é feito com cautela nos bastidores.

Versão… O documento que o MDB prepara mira o centro político e não pode ser chamado “Ponte para o Futuro 2”, diz o partido.

…atualizada. No dia 15 de maio último, a Fundação Ulysses Guimarães iniciou discussões sobre esse novo programa.


CLICK. João Doria com a deputada estadual Mariana Helou (Rede): “parceria” na iniciativa de vacinar contra a covid-19 as gestantes e puérperas em todo Estado.

Na ocasião, foi realizada uma live com Michel Temer e com o ex-ministro Henrique Meirelles. Divulgado nas redes do MDB, o evento teve o nome de “Ponto de Equilíbrio, o Centro no Poder”.

Mais gente. Na última semana, Baleia Rossi convidou a cúpula do PSL para participar da elaboração desse novo documento.



SINAIS PARTICULARES

Marcelo Adnet, humorista

Bem… O humorista Marcelo Adnet emplacou outro gol da sátira política na pandemia: o sucesso de suas “narrações” da CPI da Covid renderam a ele um novo programa na Globoplay, o Adnet na CPI, já disponível no streaming.

…amigos da CPI. Inspirado no legendário Galvão Bueno, Marcelo Adnet vem produzindo momentos hilários e fazendo a melhor crônica até aqui dos depoimentos da CPI, com frases como: “o tempo é amigo da base governista”. Haja comissão, amigo!

PRONTO, FALEI!


“Se Jair Bolsonaro não demitir Ricardo Salles, terá que construir um xilindró na Esplanada dos Ministérios”, sobre abertura de inquérito contra o ministro.
José Luiz Penna, presidente nacional do PV

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA

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