Ao investigar corrupção, ministério acha fantasmas

Ao investigar corrupção, ministério acha fantasmas

Coluna do Estadão

20 de setembro de 2018 | 05h30

Polícia Federal no dia da Operação Carne Fraca. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ao cruzar dados das catracas eletrônicas e dos relógios de ponto, o Ministério da Agricultura flagrou 40 servidores que só iam ao trabalho marcar presença e saíam em seguida. Todos são alvo de procedimentos administrativos. As denúncias começaram a chegar ao comando da pasta após ser criado um programa de compliance, para receber informações sobre ilícitos, num desdobramento da Operação Carne Fraca. Uma das prioridades desse programa é o Controle de Risco. A Carne Fraca revelou esquemas nas superintendências estaduais da pasta.

Ache o erro. A ideia do programa de compliance é mapear as áreas mais vulneráveis à corrupção. A primeira fase da Operação Carne Fraca, por exemplo, investigou frigoríficos que ofereciam propina a servidores por certificados de qualidade adulterados.

Custa caro. Este ano, o ministério já desembolsou R$ 4,8 bilhões com pessoal e encargos sociais. Se for levado em consideração que a pasta tem pouco mais de 25 mil servidores, entre os em exercício e os afastados, cada um já custou aos cofres públicos, em média R$ 21 mil por mês.

Alto lá. Aliados de Alckmin que se animaram com a ideia de uma candidatura única de centro para enfrentar Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) bateram no muro. Alvaro Dias (Podemos) avisa: não abrirá mão em favor do tucano.

Tô pagando. Outra dificuldade que o entorno de Alckmin vê são os altos investimentos que Henrique Meirelles e João Amoêdo já fizeram nas próprias campanhas. Meirelles doou R$ 45 milhões e Amoêdo tirou do bolso pelo menos R$ 100 mil para se bancar.

Fala que eu te escuto. Ao ouvir os argumentos de aliados do Centrão tentando convencê-lo de que precisa ser mais agressivo com o adversário Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB) ficou calado. Interlocutores dizem ter dificuldades em interpretar o que o tucano absorve dessas conversas.

Vai falar. Morando em Brasília e usando tornozeleira, o ex-assessor especial de Michel Temer Rodrigo Rocha Loures se prepara para prestar novo depoimento depois das eleições.

Passos lentos. Em balanço que fez com a própria equipe, Raquel Dodge disse que o Ministério Público precisa “conseguir que o STF tenha mais compromisso com a celeridade dos julgamentos”. A primeira condenação na Lava Jato só ocorreu em maio deste ano.

Reta final. Termina na terça-feira, 25, o prazo para o delegado da Polícia Federal Cleyber Malta encerrar as investigações contra o presidente Michel Temer no Inquérito dos Portos. Esta é a quarta vez que o ministro Luís Roberto Barroso prorroga o inquérito.

CLICK. Depois de quebrar o silêncio e pedir voto para “Alkmin”, o ex-presidente Fernando Henrique comentou no Twitter a polêmica sobre ter errado o nome do aliado.

Reprodução/Twitter Fernando Henrique Cardoso

OS CONSELHEIROS

SINAIS PARTICULARES. Luiz Inácio Lula da Silva, conselheiro de Fernando Haddad (PT); por Kleber Sales.

Pai do genérico. O senador José Serra quer convocar o ministro da Indústria e Comércio, Marcos Jorge, à CAE do Senado para que ele explique por que o INPI não quebrou a patente do remédio genérico para hepatite C, o que diminuiria o custo do tratamento.

Ilegítimo. O TSE negou à coligação do PT pedido de resposta a uma peça de Alvaro Dias. Nela, é usada uma animação para mostrar Lula atrás das grades. Para a Corte, o PT não pode fazer esse pedido, já que representa os candidatos.

PRONTO, FALEI!

Deputado Heráclito Fortes. Foto: Dida Sampaio/Estadão

“O problema do Bolsonaro é que ele dá mais trabalho deitado do que em pé”, DO DEPUTADO FEDERAL HERÁCLITO FORTES (DEM-PI), sobre o crescimento do presidenciável em pesquisas após sofrer atentado em Juiz de Fora.

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E JULIANA BRAGA. COLABOROU LU AIKO OTTA

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