Antes de sair, Teich fez gesto pela Federação

Antes de sair, Teich fez gesto pela Federação

Coluna do Estadão

16 de maio de 2020 | 05h00

Foto: Gabriela Biló/Estadão

Antes de deixar o Ministério da Saúde, Nelson Teich teve conversa na quinta-feira (14) com secretários estaduais e municipais de Saúde e com a Organização Pan-Americana da Saúde. Segundo quem participou do encontro, Teich deu sinal de ter aprendido uma lição, ainda que tardiamente: a importância da Federação. O ex-ministro liberou a reunião, ocorrida ontem, do gabinete de crise da Saúde. Parece óbvio o ensinamento, mas não é pouco no governo Jair Bolsonaro. Sem a união dos entes, a covid-19 continuará fazendo vítimas.

Recado. As reuniões do gabinete de crise da Saúde estavam suspensas desde a saída de Luiz Henrique Mandetta do ministério. “Não há como fazer a governança do SUS, especialmente numa emergência, sem a construção de consensos e sem gestão tripartite”, disse à Coluna o presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde, Alberto Beltrame.

Estilo. Na reunião de quinta-feira, o então ministro da Saúde não deu indicativos de que poderia deixar o cargo, tampouco falou sobre o fetiche bolsonarista do uso da cloroquina.

O Breve? Militares apostam que Eduardo Pazuello será uma solução provisória. A leitura na caserna é que é preciso um especialista em Saúde no cargo, e que o general deixou o quartel para uma “missão” na secretaria executiva, não para comandar a pasta.

O Breve. Nelson Teich já queria ter deixado o governo na segunda semana no cargo. Não sabia que a pressão de família, amigos e, em especial, de Jair Bolsonaro seria tão grande.

SINAIS PARTICULARES.
Jair Bolsonaro, presidente da República

Ilustração: Kleber Sales

Sem dinheiro. O presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Jonas Donizette, avaliou que a saída de Teich dificulta ainda mais a interlocução dos gestores locais com o governo. De acordo com ele, muitas cidades estão com equipamentos de saúde em operação, mas ainda não receberam os valores do custeio.

Ruim assim. “Um ministério como esse tem que ter estabilidade para as coisas acontecerem. Não dá para colocar alguém sem comando ou ficar sem poder de decisão”, disse Jonas Donizette.

CLICK. O cirurgião plástico Dr. Rey viralizou nas redes ao se oferecer para comandar o Ministério da Saúde. Prometeu soluções e defendeu o uso da hidroxicloroquina.

Reprodução/Instagram

Sinal… Números compilados pela Prefeitura de São Paulo, aos quais a Coluna teve acesso, mostram que 1,5 milhão de pessoas todos os dias, em média, deixaram de circular na capital após a implementação do novo rodízio de veículos.

…verde. Na segunda-feira (11/05), primeiro dia da medida, o sistema de transporte urbano teve um incremento de 90 mil passageiros em relação à sexta-feira (8/05). Porém, a frota de ônibus foi aumentada em 1.600 veículos, o que absorveu a demanda. Para a Prefeitura, os dados mostram que o rodízio tem sido eficaz no combate à covid-19.

Debate. O Prerrogativas realiza hoje, às 11h, a webconferência “O Legado da Lava Jato e a Necessidade de Reformar o Sistema de Justiça”, com a participação de Flávia Rahal, Alberto Toron, Fábio Tofic e Dora Cavalcanti. A transmissão será no canal do YouTube do grupo de advogados.

Debate 2. Entre os tópicos estará a estrepitosa passagem de Sérgio Moro pelo Ministério da Justiça, após ter sido o “inimigo número um da advocacia”, segundo Marco Aurélio de Carvalho.

BOMBOU NAS REDES!

Facebook Pauli Ganime

Paulo Ganime, deputado federal (RJ), líder do Novo: No meio de uma pandemia, momento em que precisávamos de estabilidade e liderança, temos a segunda troca de Ministro da Saúde. Se os Ministros eram ruins ou se eles não se submeteram a ordens infundadas, dá no mesmo, pois em ambos os casos as decisões vieram do mesmo lugar.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA

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