Aneel banca festão com dinheiro da conta de luz

Aneel banca festão com dinheiro da conta de luz

Coluna do Estadão

20 Dezembro 2018 | 05h00

Servidores da Aneel participam de festa patrocinada pela agência reguladora FOTO: REPRODUÇÃO/DOCUMENTO OFICIAL DA ANEEL

A Aneel fez uma festa para comemorar seus 21 anos ao custo de R$ 182,3 mil. Os recursos saíram dos cofres do órgão regulador, dinheiro que tem origem em uma “taxa de fiscalização” cobrada dos consumidores, na conta de luz. Para a “confraternização de 21 anos” da agência de energia, a diretoria desembolsou R$ 51.500 para alugar um salão de festas em Brasília por cinco horas. Outros R$ 44,9 mil foram gastos com “produção artística e animação”. Durante o evento, taças de espumante fixadas na roupa de uma moça foram servidas aos convidados.

CLICK. Organizada para 800 pessoas, entre diretores, servidores e terceirizados, a festa contou ainda com R$ 15 mil para a decoração e R$ 41,7 mil para o brunch. O diretor Sandoval Feitosa, que chegou à agência em maio, participou da festa.

Diretor da Aneel, Sandoval Feitosa FOTO: REPRODUÇÃO/DOCUMENTO OFICIAL DA ANEEL

Diretor-geral da Aneel, André Pepitone

Prioridade. No ano passado, a Aneel deixou de cumprir parte de suas atividades de fiscalização do setor por causa de falta de recursos, alvos de contingenciamento. Em 2016, sem caixa, a agência chegou a suspender os serviços de teleatendimento ao consumidor.

Com a palavra 1. Questionada sobre os gastos, a Aneel declarou que “ações voltadas para a melhoria do bem-estar e do clima organizacional são importantes para uma gestão eficiente”.

Com a palavra 2. A agência informou ainda que “pauta suas ações pelo esforço na adequada aplicação dos recursos públicos, incluindo ações voltadas para integração de sua força de trabalho.” A festa, disse, “tem por objetivo reforçar os valores que norteiam sua ação administrativa e é realizada desde sua criação”.

Tá comigo. A liminar do ministro Marco Aurélio Mello, que quase soltou ontem Lula e outros presos da Lava Jato, não foi a única polêmica do ministro.

Trending Topics. Colegas do magistrado na Corte listaram outras liminares dele que “causaram”, como a que afastou Renan Calheiros da presidência do Senado, autorizou o retorno de Aécio Neves ao Senado e, ainda, soltou Salvatore Cacciola e o ex-goleiro Bruno.

Tradição natalina. Há exatamente um ano, também às vésperas do recesso do Judiciário, o ministro Gilmar Mendes decidia em liminar proibir conduções coercitivas.

SINAIS PARTICULARES A SÉRIE

OS NOVOS MINISTROS 

Paulo Guedes, ministro da Economia; por Kleber Sales

Escapou. O Conselho de Ética inicia o recesso hoje sem ter analisado a cassação do deputado Lúcio Vieira Lima. A última sessão do ano, que seria ontem, foi marcada para ouvir as testemunhas de defesa do parlamentar, mas foi cancelada por falta de quórum.

Na roda. Luiz Fernando Baptista, ex-Sky, está cotado para a presidência dos Correios no governo Jair Bolsonaro. A estatal será subordinada ao ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes. A escolha do novo chefe será compartilhada com Bolsonaro.

Linha cruzada. Foi tenso o telefonema entre Michel Temer e Rodrigo Maia sobre a flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal. O presidente da Câmara sancionou o texto enquanto Temer, que é contra, estava no Uruguai.

Deixa para lá. Pelo projeto sancionado, municípios com queda de arrecadação não seriam punidos por desrespeitar o limite de gastos com pessoal.

Autodelação. Na denúncia contra Michel Temer, Raquel Dodge destaca que o próprio admite sua influência no Porto de Santos na carta que enviou a Dilma Rousseff em 2015. Nela, reclama da exoneração de Edinho Araújo da Secretaria de Portos. O presidente tem negado as acusações.

Vida que segue. Alvo da PF ontem, Gilberto Kassab manteve presença na posse hoje de Leonardo Euler, como presidente da Anatel, e de Moisés Queiroz Moreira, como conselheiro.

PRONTO, FALEI! 

Senador Lasier Martins

“Não ouvi o senador Lasier Martins falar. Nunca presto atenção no que ele diz”, estocando o colega que conseguiu no STF voto aberto para o comando do Senado.

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E JULIANA BRAGA. COLABORARAM ANDRÉ BORGES E RAFAEL MORAES MOURA 

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