Ameaças externas podem unir o Supremo

Ameaças externas podem unir o Supremo

Coluna do Estadão

13 Fevereiro 2019 | 05h00

Ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO – 13/9/2018

Com o Supremo e o Judiciário na alça de mira de outro Poder e de movimentos organizados, o presidente Dias Toffoli acha que pode fazer dos limões a limonada. Quer utilizar o azedume em relação à Corte para criar um sentimento de corpo entre os ministros, seja para blindar o STF de investidas objetivas, como a criação da CPI da Lava Toga, seja para enfrentar pressões das ruas e redes sociais. Colegas dele concordam com a necessidade de aparentar união institucional, mesmo que, nos bastidores, certas divergências continuem irremediáveis.

Só Instagram. Hoje, Dias Toffoli recebe os colegas em almoço, prática recente na Corte. Servirá para mostrar, nem que seja na foto, um colegiado unido.

Continue assim. Nos bastidores, há quem gostaria de ver um Toffoli mais ligeiro e direto na defesa do Supremo, como ele foi nas céleres, indispensáveis e elogiadas notas lamentando o incêndio no CT do Flamengo e a morte do jornalista Ricardo Boechat.

Tá anotado. Não passou despercebido por integrantes do Supremo que senadores do PPS, Podemos e PSL não retiraram as assinaturas antes do arquivamento da CPI da Lava Toga.

Deixa para depois. A bancada evangélica saiu do encontro com o presidente do Supremo ontem convencida de que algum ministro pedirá vista da ação sobre a criminalização da homofobia, retardando uma definição sobre o assunto.

E o governo? A AGU, que representa o governo no Supremo, não vê omissão do Congresso ao não aprovar uma legislação sobre a homofobia. Será a primeira vez que o ministro André Mendonça defenderá a União em sessão plenária.

Modelo 1. A ministra Tereza Cristina (Agricultura) vai a MT para a colheita das cooperativas dos índios parecis, nambiquara e manoqui. Só os parecis plantaram 10 mil hectares de soja, milho e arroz, sem transgênicos e com controle biológico de pragas.

Modelo 2. Esse é o modelo que o governo deve apoiar para o setor. O dinheiro obtido com a safra é aplicado em projetos de piscicultura e turismo nas aldeias.

SINAIS PARTICULARES
SÉRIE NOVOS LÍDERES DO CONGRESSO
José Rocha (BA), líder do PR na Câmara

CRÉDITO: KLEBER SALES/ESTADÃO

‘Digital first’. A Secretaria de Comunicação da Presidência tem reunião hoje para começar a desenhar a estratégia que buscará apoio popular à reforma da Previdência. Redes sociais terão papel fundamental.

Sem sabão em pó. No meio do tiroteio dentro do PSL, a turma do deixa disso tenta aproximar o líder do partido na Câmara, Delegado Waldir, do líder do governo, Major Vitor Hugo. O jantar da bancada hoje poderá ser primeiro passo rumo à paz. Desde que os comensais deixem a roupa suja separada em casa.

CLICK. A deputada Bia Kicis (PSL-DF) anunciou ontem a ativista cubana naturalizada brasileira Zoe Martinez, crítica ao regime de Cuba, como sua nova assessora.

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM BIA KICIS

Ombro amigo. O ex-comandante do Exército general Villas Bôas foi um dos conselheiros a quem o general e vice, Hamilton Mourão, recorreu para se blindar das críticas do entorno do presidente Jair Bolsonaro. Ouviu dele duas sugestões: calma e submersão.

Vamos juntos? A ministra Damares Alves (da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) convidou Twitter e Google para integrarem grupo de trabalho contra a automutilação e suicídio. Quer se reunir com as empresas para conversar.

BOMBOU NAS REDES!

Deltan Dallagnol. FOTO: ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO

Deltan Dallagnol, procurador da República da força-tarefa da Lava Jato: “Se o STF decidir que crimes comuns e eleitorais devem tramitar juntos na Justiça Eleitoral, a Lava Jato poderá ser anulada”, sobre julgamento do tema em março.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA

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