Aliados já resistem a aumento de impostos

Aliados já resistem a aumento de impostos

Coluna do Estadão

20 Julho 2017 | 05h30

Foto: Beto Barata/PR

 

A perspectiva de elevação de impostos pelo governo federal incomodou influentes integrantes da base de apoio do presidente Michel Temer. Para esses parlamentares, as medidas ampliarão o desgaste que o governo e seus aliados já enfrentam por causa da votação de reformas polêmicas, como a trabalhista e a previdenciária. Mesmo sabendo que os impostos ajudarão a recompor o fluxo de arrecadação do governo, os aliados temem que as medidas contaminem negativamente suas campanhas eleitorais no próximo ano e resistem ao aumento.

Tá com eles. A equipe econômica, comandada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles,

vem discutindo o reajuste com Michel Temer nas últimas duas semanas. A base aliada insistia para que o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) atuasse para barrá-lo. Ouviram que a “decisão era da equipe econômica”.

Nem tentem. No Planalto já chegou o recado de representantes de PSDB, PMDB e DEM de que qualquer tentativa futura de recriar a CPMF será rechaçada no Congresso.

Tá precisando. Apesar da resistência política, especialistas como o economista-chefe do banco UBS, Tony Volpon, avaliam que o “Brasil está enfrentando uma emergência fiscal” e aumentar impostos não pode ser uma hipótese descartada.

Veja bem. Tanto o aumento de impostos como a iminente redução dos juros podem contribuir para reduzir a dívida pública, na avaliação de Gastão Toledo, que coordena a discussão sobre reforma tributária no Planalto. “No sentido de melhoria fiscal, ambas as medidas estão corretas e seriam saudáveis”, diz.

Bombeiro. Prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM) foi ontem para Brasília especialmente para ajudar a apagar o incêndio na relação entre Michel Temer e Rodrigo Maia. Mas o jantar do partido e do PSDB com o presidente já estava marcado desde a semana passada, antes da crise dos dissidentes do PSB.

Superdecano. Com duas vagas em jogo para o Senado, o ex-presidente José Sarney (PMDB) poderá concorrer a um novo mandato pelo Amapá. Se for eleito, completará sua passagem pela Casa com 96 anos.

Na oposição. O Podemos, que tem 15 deputados, pode perder mais da metade da bancada. Oito já manifestaram desejo de sair após a presidente Renata Abreu começar a bater de frente com Temer e Maia.

Nem ligo. Alvo de protestos em Minas por apoiar a reforma trabalhista, o senador Cristóvam Buarque avisa que “ataques não vão intimidá-lo.”

SINAIS PARTICULARES – CRISTOVAM BUARQUE (PPS-DF)
ILUSTRAÇÃO: KLÉBER SALES

 

Velocidade máxima. Responsável pelos despachos do STF durante o recesso, a presidente Cármen Lúcia já tomou mais de 350 decisões no plantão.

Aos cuidados. A Presidência mandou restaurar dois quadros de Cândido Portinari que estavam na sala de estar do Palácio da Alvorada. No lugar, foram colocadas duas réplicas idênticas, que serão substituídas pelos autênticos assim que a sala for aclimatada.

Só tem no Brasil. Nas redes sociais, Sandra Cureau, vice-procuradora da República, considerou “inadmissível” Rodrigo Janot falar português em palestra nos EUA. Ontem, o tradutor não conseguiu traduzir a palavra “jabuticaba”.

CLICK. Adversária ferrenha do presidente Michel Temer, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) apoia o também peemedebista Eduardo Braga na disputa pelo governo do Amazonas.

Foto: Instagram Vanessa Grazziotin

PRONTO, FALEI!

“Neste momento, aumentar impostos significa dar um tiro no pé. Vai desacelerar mais a economia e diminuir a arrecadação”, SENADOR JOSÉ SERRA (PSDB-SP), sobre o aumento de impostos.

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