Aliados de Bolsonaro querem foco nos pobres

Aliados de Bolsonaro querem foco nos pobres

Coluna do Estadão

27 de julho de 2021 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: GABRIELA BILO/ESTADÃO

A queda na adesão de brasileiros às manifestações pelo impeachment do sábado passado, 24, fez crescer no Planalto e no Centrão a seguinte percepção: os eleitores que não votarão de jeito nenhum em Jair Bolsonaro em 2022 estariam circunscritos à classe média de grandes centros urbanos e aos militantes de esquerda. Esses seriam caso perdido. Portanto, se esse diagnóstico estiver correto, resta ao presidente tentar virar o jogo entre os eleitores mais pobres: “sensíveis” à economia e menos “engajados” em discussões sobre democracia e covid.

Localizado. Pesquisa da Quaest, em parceria com a Genial Investimentos, comprova que o grande desafio do Bolsonaro é recuperar a confiança dos mais pobres.

Lavada. Lula está na casa dos 60% de intenção de voto no segmento dos eleitores que com renda familiar de até R$ 1.100 mensais, no qual Bolsonaro não chega a alcançar 20%. Ambos, no entanto, estão muito próximos no segmento dos que ganham acima de R$ 5.000.

Futuro. Segundo o cientista político Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest Pesquisa e Consultoria, Bolsonaro “já teve esse voto (dos mais pobres) antes”. “Se a economia melhorar, ele pode voltar a ser competitivo”, afirma.

Dindim. No Planalto, além da aposta em Paulo Guedes para incrementar a economia, o foco também está em criar um novo programa social, uma espécie de “Bolsa Família 2.0”, que provavelmente terá outro nome e outra marca.

Fast. A ideia do governo é enviar a medida provisória até sexta para o Congresso, para dar tempo de pagar a primeira parcela do benefício até novembro.

Sem narrativas. Há ainda a certeza de que não adianta criar o programa social e incrementar a economia se a comunicação não melhorar. Por isso, o Planalto tem mudado sua estratégia.

CLICK. Integrantes do MBL colocam lambe-lambe na estação Vila Mariana com convocatórias para a manifestação de 12 de setembro para pedir “fora, Bolsonaro”.

Coluna do Estadão

Olho… O corregedor nacional do Ministério Público, Rinaldo Reis, alterou a punição no processo administrativo contra procuradores da extinta Força Tarefa da Lava Jato do Rio: trocou a suspensão de 30 dias por demissão.

…da rua? A abertura do processo é um primeiro passo, o caso ainda vai tramitar no Conselho Nacional do Ministério Público. Interlocutores de Reis dizem tratar-se de uma questão técnica: a divulgação de informações sigilosas prevê demissão, mas também admite a possibilidade de suspensão.

Foro. Essa correção, contudo, só poderia ser feita pelo órgão julgador, o plenário do conselho, onde, segundo a Coluna apurou, o cenário é hoje desfavorável aos procuradores.

B.O. Os 11 procuradores são alvo por terem divulgado informações de um processo contra Romero Jucá e Edison Lobão antes de o sigilo ter sido levantado.

No salão… Membros da carreira e senadores veem no gesto uma forma de o corregedor tentar se cacifar junto a senadores. Seu nome aguarda sabatina para recondução ao cargo.

…azul. Com seis nomes aguardando sabatina no Senado, a composição do plenário é mais punitivista. Portanto, interlocutores da extinta Força Tarefa tentam, como estratégia, adiar a análise do caso.

Jardim. Em recente participação no curso de política ministrado pela deputada estadual Marina Helou (Rede-SP), Fernando Henrique Cardoso buscou inspiração na jardinagem: “A democracia é igual uma planta. Tem que cuidar sempre”, disse o ex-presidente. Marina promoveu uma aula pública com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

SINAIS PARTICULARES.
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente

Kleber Sales

PRONTO, FALEI!

João Amoêdo. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

João Amoêdo, fundador do Novo: “Após cometer pelo menos 130 crimes de responsabilidade, Bolsonaro finge se importar com a lei”, sobre o presidente ter dito que pode ser crime vetar Fundo Eleitoral.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA.

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