Aécio pedia investigação imparcial, diz Cardozo

Aécio pedia investigação imparcial, diz Cardozo

Coluna do Estadão

23 de abril de 2018 | 05h30

O ex-ministro José Eduardo Cardozo e o relator do impeachment, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) | Daniel Carvalho/Estadão

Ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo afirma que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) já o visitou no gabinete para tratar de investigações da Polícia Federal. “Algumas vezes ele me procurou, mas nunca pediu para mudar o delegado. Pedia imparcialidade da PF, que não fosse perseguido. Uma vez foi falar do caso do senador Antonio Anastasia”, revela. A resposta do petista era sempre a mesma: a lei era para todos, adversários políticos não seriam perseguidos e qualquer atitude da PF diferente disso seria investigada.

Encerrado. O inquérito que preocupava Aécio foi arquivado pelo Supremo em fevereiro de 2016. A PF não conseguiu provas de que o doleiro Alberto Youssef teria destinado R$ 1 milhão a uma pessoa que parecia ser Antonio Anastasia.

Habitué. Aécio também teria tratado de inquéritos da PF com Osmar Serraglio, que foi ministro da Justiça de Temer, mas a conversa foi em outro tom. Ao Globo, ele contou que foi pressionado pelo senador a trocar o delegado que o investigava no caso JBS.

Com a palavra. O tucano diz que esteve com Cardozo “mais de uma vez” e que “jamais” tratou com o ministro qualquer assunto que não pudesse ser discutido “à luz do dia”. O tucano nega pressão a Serraglio.

Não estraga. As críticas de petistas à decisão do STJ de enviar o inquérito que investiga o tucano Geraldo Alckmin para a Justiça Eleitoral irritaram os que articulam uma estratégia para livrar políticos da Lava Jato.

Boca de siri. Num reunião na semana passada, o partido foi alertado de que a “solução Alckmin” era a luz no fim do túnel para os investigados no Supremo, incluindo a presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

Mamão com açúcar. Na Justiça Eleitoral, os congressistas respondem por crime de caixa dois, e não por suspeitas de corrupção.

Marcando posição. A bancada do PT apresentou mais de 90 emendas ao projeto de privatização da Eletrobrás, todas contra a venda do controle da empresa e pela manutenção dos 90 mil funcionários da estatal.

Dois pesos. A restrição ao foro privilegiado, que deve ser aprovada pelo STF na próxima semana, causa preocupação na PGR, na PF e até mesmo entre ministros da Corte que vão votar a favor da medida. A solução pode acabar beneficiando políticos com grande influência em seus Estados.

Me basto. Na contramão dos demais candidatos, Jair Bolsonaro não vai priorizar a montagem de palanques regionais para dar suporte à sua candidatura. “Minha aliança é com o povão. Se não tiver palanque nos Estados, fico na rua”, diz.

CLICK. Encerrada a cerimônia do Dia do Exército, quinta, 19, Jair Bolsonaro foi cercado por alunos do colégio militar, agraciados e convidados com pedidos de selfies.

FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Ampliou. O ministro Gustavo Rocha, dos Direitos Humanos, quer incluir jornalistas no Programa de Proteção de Defensores de Direitos Humanos do governo. O Brasil é o sétimo país do mundo em número de jornalistas assassinados.

Sinais Particulares – Gustavo Rocha, ministro dos Direitos Humanos; por Kleber Sales

Tem verba. O programa, que será remodelado, protege pessoas que estejam em situação de risco ou ameaça em decorrência de suas ações na proteção dos direitos humanos. O ministro garantiu aumento no orçamento de R$ 2,5 milhões, em 2017, para R$ 11 milhões neste ano.

PRONTO, FALEI! 

Foto: Roberto Jayme/ Ascom/TSE

“Só um eleitor responsável e consciente é capaz de inverter esse estado de coisas que assombrou o País”, ADMAR GONZAGA, ministro do TSE, sobre o conturbado cenário político.

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA 

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