Advogado perde três dedos após abrir “carta-bomba” em Goiânia

Advogado perde três dedos após abrir “carta-bomba” em Goiânia

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Eduardo Rodrigues

17 de julho de 2016 | 16h34

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Após o atentado com uma carta bomba a um advogado em Goiânia na última sexta-feira (15), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) considerou a agressão uma “afronta direta à democracia brasileira”. Walmir Oliveira da Cunha, de 37 anos, abriu um embrulho endereçado em seu nome em seu escritório na capital goiana e, com a detonação do explosivo, acabou perdendo três dedos das mãos. O profissional passou por cirurgia no Hospital de Urgências de Goiás (Hugo) e não corre risco de morrer.

A motivação e a autoria do crime ainda estão sendo apurados pela polícia goiana e tanto a OAB Nacional como a OAB de Goiás emitiram notas afirmando que irão acompanhar de perto o desenrolar das investigações.

O presidente da OAB-GO, Lúcio Flávio de Paiva, esteve no local do atentado e ordenou a criação de uma comissão especial da entidade para acompanhar o inquérito. Paiva também entrou em contato om o vice-governador de Goiás e secretário de Segurança Pública do Estado, José Eliton, que teria garantido “pronta, imediata e severa” investigação sobre o caso.

“Este é um atentado inadmissível à advocacia. A OAB-GO não aceitará esta violência descabida e reafirma que toda a advocacia irá se mobilizar contra este e qualquer tipo de violência. A Ordem não se intimidará diante de quaisquer ameaças que sofrer”, disse a entidade estadual em nota de repúdio.

Já o presidente da OAB Nacional, Claudio Lamachia, afirmou que a entidade não admite que advogadas e advogados sofram qualquer tipo de represália ou constrangimento por causa do exercício da advocacia. “Não existe Estado Democrático de Direito sem uma advocacia forte, capaz de fazer valer os direitos e garantias dos cidadãos”, disse o presidente, também por meio de nota.

A Ordem lembrou de outros registros recentes de violações das prerrogativas profissionais da categoria no Brasil e citou o caso de um advogado de Florianópolis (SC) que foi chamado para ajudar em uma suposta reintegração de posse e acabou morto por policiais militares que estavam fora do horário de serviço. O homicídio ocorreu em maio e cinco PMs suspeitos foram presos.

“Vou repetir à exaustão: respeitar o trabalho dos advogados é essencial para que os direitos e garantias dos cidadãos sejam aplicados de acordo com o que estipula a Constituição. O desrespeito e a violência contra advogados é uma afronta direta à democracia brasileira”, completou Lamachia.

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