Ademir Sobrinho, chefe do Estado-Maior: ‘Temos de nos preparar para terror nos Jogos’

Ademir Sobrinho, chefe do Estado-Maior: ‘Temos de nos preparar para terror nos Jogos’

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Andreza Matais

04 de julho de 2016 | 05h30

 

ademir sobrinho

Ilustração: Kleber Sales

 

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante de esquadra Ademir Sobrinho, afirma que o terrorismo é uma preocupação na Olimpíada. Muitos alvos de grupos radicais vão desembarcar no Brasil. Diante disso, o pessoal que vai lidar com os visitantes foi treinado para identificar lobos solitários e outras medidas estão sendo tomadas para garantir a segurança de atletas e espectadores. “Não podemos dizer que não há probabilidade de um ataque terrorista. Temos que nos preparar para a pior situação. É o que estamos fazendo.”

Integração
Esse é o sétimo grande evento internacional que está ocorrendo. Nós vamos trabalhar integrando as três áreas: inteligência, segurança pública e defesa. Estamos integrados do nível tático até o estratégico.

Terrorismo
A ameaça terrorista hoje é latente em todo o mundo. Muitos alvos desses terroristas estão vindo para o Brasil. Se bem que o terrorismo hoje, eu diria, nem tem mais alvos específicos. Eles querem mostrar a causa. Então nós não podemos dizer que não há probabilidade de ter um ataque terrorista. Nós temos que nos preparar para a pior situação e é isso que estamos fazendo.

Combate ao terrorismo
Trabalhamos junto com os órgãos de segurança pública no enfrentamento ao terrorismo e com a Defesa Civil para a defesa química, bacteriológica, nuclear e radiológica. Inclusive, três hospitais das Forças vão atender a qualquer acidentado, ou qualquer pessoa que seja afetada por um desses elementos.

Lobos solitários
Nós temos que nos preparar para tudo. Realmente, é muito difícil a detenção de um lobo desses. Estamos conscientizando as pessoas que vão trabalhar diretamente com o público, mostrando indícios que podem significar alguma coisa estranha, chamar atenção, que possa ser relacionada com uma ameaça. E essas pessoas comunicarão a um órgão central, isso já foi estipulado.

Disque terror
O pessoal de hotéis, de aeroportos, de shopping centers, de táxis, de transporte coletivo têm um número que eles poderão ligar para informar sobre qualquer indício de alguém com característica de um lobo solitário. O treinamento ocorre nas cidades do futebol e no Rio de Janeiro.

Espaço aéreo
Atuaremos no controle aéreo desde o início, inclusive existirão áreas onde será proibido voo durante as competições. O aeroporto de Jacarepaguá estará fechado porque a Vila Olímpica está ao lado dele. A precaução é para evitar que uma aeronave seja jogada contra uma instalação.

Galeão e Santos Dumont
Qualquer voo com destino ao Galeão ou o Santos Dumont passará por um controle no aeroporto de partida. Os voos regionais terão que pousar antes para ter esse controle. Por exemplo, uma aeronave que saia de um aeroporto pequeno, que não tenha esse controle de raio-x ou de identificação das pessoas, durante o horário das competições ela só pode entrar no Rio de Janeiro se ela passar num local onde possa fazer esse controle. Os voos comerciais normais já têm esse controle na entrada do aeroporto.

Helicóptero
Dentro da área que a gente chama de vermelha ninguém poderá voar durante as competições. Isso é cerca de quatro a cinco quilômetros dos locais onde estão sendo os jogos.

Drones
Está proibido. Não é bom levar. Nós vamos recolher esse drone, vamos interferir, fazê-lo pousar, recolher e a pessoa está sujeita à legislação em vigor.

Violência no RJ
Estamos acabando de fechar a delimitação dos locais onde estremos ostensivamente. Creio que na semana teremos autorização presidencial. A nossa atuação será naquilo que interfere na realização da Olimpíada, principalmente dos jogos. Mas logicamente que o público é uma preocupação.

Ajuste fiscal
Em nenhum momento houve falta de recursos para a preparação da segurança da Olimpíada.

Segurança fronteiras
Nós estamos montando um sistema de vigilância, mas é um sistema dual – militar e para segurança pública também. O módulo piloto, que é no Mato Grosso, está em fase de teste, mas é dual.

Entrevista a Andreza Matais 

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