Acordo por Orçamento será teste para Poderes

Acordo por Orçamento será teste para Poderes

Coluna do Estadão

27 de fevereiro de 2020 | 05h00

Bolsonaro durante reunião com Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, Fernando Bezerra e Onyx Lorenzoni. FOTO: MARCOS CORRÊA/PR

A relação entre o governo e o Congresso enfrentará teste de fogo na votação dos vetos do Orçamento impositivo. Há predisposição da articulação política e, especialmente, de Rodrigo Maia em manter o acordo duramente costurado antes do carnaval. Apesar do mais recente ataque de Jair Bolsonaro, líderes de partidos ouvidos pela Coluna avaliam que, se isso ocorrer, será como uma sinalização de “bandeira branca” entre os dois Poderes. A sessão conjunta para a análise dos vetos está prevista para a semana que vem, mas ainda não foi confirmada.

Na pedra. “Temos palavra e vamos cumprir o acordo porque concordamos com as ponderações do secretário Esteves (Colnago, hoje assessor especial do Ministério da Economia)”, afirmou Maia à Coluna.

Contexto. Antes do carnaval, o acordo estava selado entre parlamentares e governo, com anuência de Jair Bolsonaro. O projeto de crédito suplementar (PLN), que será enviado pelo Executivo como forma de cumprir sua parte da negociação, está, inclusive, assinado pelo presidente.

Porém. Palacianos afirmam que o desenrolar das negociações com o Congresso dependerá das conversas que o presidente terá hoje com a sua equipe e dos “bombeiros” de Brasília.

Timing. O envio da aguardada reforma administrativa ao Congresso também dependerá do clima na relação entre os Poderes.

Reação. Na esteira da polêmica envolvendo Jair Bolsonaro e as manifestações pró-governo, os líderes da Câmara se reunirão na próxima segunda-feira para discutir a questão.

CLICK. Tereza Cristina aproveitou o carnaval para relaxar. Numa enquete em rede social, 93% dos seguidores da ministra preferiram descansar em vez de cair na folia.

Instagram: @terezacristinams

Anote aí. O apresentador José Luiz Datena se filiará ao MDB na quarta-feira que vem em Brasília.

Vixe. De Datena sobre o presidente: “Bolsonaro não pode compartilhar vídeo com chamado para ato contra o Congresso. O povo tem o direito de se manifestar da forma que quiser, mas o presidente não pode de forma alguma avalizar atos contra o Congresso”.

Vixe 2. Do deputado Marco Feliciano, apoiador do presidente: “A apoteose do cinismo. Congresso toma o Orçamento do Executivo, Rodrigo Maia roda o mundo posando de chefe de Estado e acusam o presidente de atacar as instituições!”

Paz e amor. Nos tumultuados dois primeiros meses deste 2020, o ministro Luiz Eduardo Ramos tem dito à exaustão que seu mantra é: “Vamos serenar os ânimos, pessoal”.

SINAIS PARTICULARES.
Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo

Ilustração: Kleber Sales

Grana. A prorrogação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) pedida pelo governo do Ceará deve ser discutida hoje entre Bolsonaro e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, que apresentará um briefing da operação ao presidente. A grande preocupação do Executivo federal é quanto ao custo da operação em curso.

Grana 2. Apesar de não haver ainda um valor fechado para a operação atual, a anterior no mesmo Ceará, também por conta da paralisação de PMs, envolveu um efetivo de militares quatro vezes menor (698) e custou mais de R$ 11 milhões.

Direto. O DEM quer o comando das comissões de Saúde ou de Agricultura na Câmara para facilitar a vida dos ministérios sob o comando do partido.

BOMBOU NAS REDES!

Janaina Paschoal Foto: Clayton de Souza/Estadão

Janaina Paschoal, deputada estadual (PSL-SP): “Algum jornalista aí na coletiva do Ministério da Saúde pergunta, por favor, se é adequado convocar manifestação, diante da chegada do coronavírus?”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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