Abandonados na defesa do isolamento, Estados avançam em auxílios próprios

Abandonados na defesa do isolamento, Estados avançam em auxílios próprios

Coluna do Estadão

08 de abril de 2021 | 05h00

Foto: Veetmano Prem/Código19/Estadão Conteúdo

Jair Bolsonaro reafirmou com novas declarações na linha “mortes são inevitáveis” o que governadores já sabiam, mas Arthur Lira e Rodrigo Pacheco fingem desconhecer: combater efetivamente a pandemia não é a prioridade do presidente. Essa tarefa foi delegada a Estados e municípios, que sofrem com a falta de vacinas, com as UTIs lotadas, com o desgaste do confinamento e estão abandonados pelo Congresso. Cientes desse jogo, os governadores tentam avançar por conta própria na compra de vacinas e até em programas de transferência de renda.

Antídoto. Na economia, para tentar evitar que Bolsonaro continue posando de “defensor dos empregos” enquanto empurra a conta da crise para os governadores e capitaliza popularidade com o auxílio emergencial, diversos Estados também avançaram na concessão de benefícios sociais.

Antídoto 2. Esses auxílios estaduais muitas vezes têm valores pagos aos cidadãos mais altos do que os do federal e atendem um número maior de categorias.

Ajuda própria. O Pará, por exemplo, iniciou o pagamento de R$ 500,00 mensais a autônomos, além de pequenos comerciantes e população mais carente. Em São Paulo, o governo do Estado turbinou seus programas sociais. O Ceará criou em março um auxílio de R$ 1.000,00 para trabalhadores desempregados de bares e restaurantes. Já o Piauí aprovou o mesmo valor para os setores de alimentação e de eventos.

Tiro na água? Para Bruno Soller, do Instituto Travessia, de análises e pesquisas, a redução do valor da ajuda federal, que passou de R$ 600 para R$ 250, em média, pode frustrar a população porque não atende as necessidades das famílias, ainda mais em um cenário de aumento de preços.

Mais… O impasse em torno do Orçamento não chegou ao fim, mas a expectativa é de que o episódio deixe marcas na relação do governo com o Congresso, segundo palacianos.

…problema. Mesmo que a cúpula do Congresso ceda um pouco e a equipe econômica também, o Planalto sabe que os recursos para 2021 são os mais importantes desta legislatura: abrirá caminho para reeleições. Perder uma fatia gorda de emendas será doloroso.

Atolado. Um palaciano afirma que Paulo Guedes está para o Orçamento assim como o navio Evergreen estava para o Canal de Suez: encalhado.

SINAIS PARTICULARES. 
Paulo Guedes, ministro da Economia

Ilustração: Kleber Sales

No vermelho. O saldo do primeiro dia de julgamento no Supremo sobre a realização de cultos e missas na pandemia foi negativo para o procurador-geral da República, Augusto Aras.

No vermelho 2. Aras disse durante o julgamento que a “ciência salva vidas, a fé também”. A frase caiu muito mal na Corte. Foi lida com aceno ao presidente de que o procurador está disposto a qualquer coisa para ficar com a vaga de Marco Aurélio Mello.

Oiê! No intervalo da sessão, André Mendonça, concorrente de Aras na luta pela vaga, deu um pulinho na sala de Luiz Fux para se “reapresentar”: lembrou que estava de volta à AGU e se colocou à disposição. A visita de cortesia durou cerca de dez minutos.

Aposta. O secretário de Segurança Pública do Ceará, Sandro Caron, é o mais cotado entre integrantes da PF para assumir a inteligência da corporação. Ele já foi superintendente no Ceará e no Rio Grande do Sul.

CLICK. O perfil do Ministério da Infraestrutura nas redes brincou com funk que fala de “martelar” quando Tarcísio Freitas bateu o martelo no leilão de aeroportos.

Reprodução/Instagram

Sem… A Frente Parlamentar em Defesa do Livro repudiou a posição da Receita Federal de que somente os mais ricos leem ao defender a perda da isenção tributária para livros. Em nota, o grupo afirma que o órgão utiliza informação distorcida e mistura dados sobre livros didáticos e não-didáticos e diferentes faixas salariais. 

…sentido. “Ao contrário do que alega a Receita, as famílias com renda inferior a dez salários mínimos respondem por quase a metade do mercado de livros não didáticos. O mesmo segmento da população consome 70% dos livros didáticos. Em vez de ampliar esse acesso, o governo busca restringi-lo”, dizem os parlamentares em nota.

PRONTO, FALEI! 

Foto; Alex Pazuello

Arthur Virgílio Neto, ex-prefeito de Manaus (AM) pelo PSDB: ““Bolsonaro, como diz um termo popular, é um abilolado.Trocar a experiencia e a qualidade de um André Brandão que foi dirigente do HSBC no exterior por um cara que diz uma platitude como “o Banco do Brasil é de mercado e é do Brasil”. Grande novidade. Parece minha tia Finoca dizendo que dinheiro é no Banco do Brasil, porque só quebra se o País quebrar”, sobre a mensagem de Fausto Ribeiro a funcionários do banco.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA

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