A resiliência de Jair Bolsonaro nas pesquisas

A resiliência de Jair Bolsonaro nas pesquisas

Coluna do Estadão

30 de setembro de 2019 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: ALAN SANTOS/PR

Apesar do viés de baixa nas recentes pesquisas de avaliação, o fenômeno Jair Bolsonaro tem impressionado pesquisadores mais experientes por sua resiliência. Mesmo com a economia ainda patinando e sob ataque intermitente de adversários políticos, inclusive internacionais, o presidente perde apoios na sociedade num ritmo considerado lento e que começa a dar sinais de desaceleração (se não ocorrerem fatos negativos novos). O segredo da resistência de Bolsonaro? A brutal polarização da sociedade, na qual opiniões não convergem para o centro.

Para lembrar. Na série de pesquisas do Ibope deste ano, em abril, 35% dos entrevistados disseram que o governo Bolsonaro era ótimo ou bom. Em junho, 32%. Neste mês, 31%. Na outra ponta da pesquisa, o ruim ou péssimo, os índices foram 27%, 32% e, agora, 34%.

Laboratório. Mantido esse ritmo, a equipe de Ciência de Dados da Quaest Consultoria fez os cálculos: estima que porcentual de ruim/péssimo do governo Bolsonaro chegará a 45% entre o fim de dezembro do ano que vem e o início de janeiro de 2021.

Comparação. Em 2015, o governo Dilma saltou de 24% de ruim/péssimo em fevereiro para 69% em junho (quase quatro meses apenas), conforme o Ibope. Analistas acham que, acima de 45% de rejeição, governos perdem muito apoio no Parlamento. Naquele ano, a Câmara abriu o processo de impeachment da petista.

CLICK. O prefeito ACM Neto entrou na dança com apoiadores durante lançamento das obras de revitalização da Via Regional, uma das mais importantes de Salvador.

FOTO: REPRODUÇÃO TWITTER ACM NETO

Ânimos… A Comissão de Viação e Transportes da Câmara vota na quarta-feira o projeto que limita a 10% a taxa de remuneração aos aplicativos de transporte, como o Uber, por exemplo.

…exaltados. O Cade se posicionou contra porque acredita que pode provocar aumento de preço na corrida. Como na audiência pública sobre o tema o clima foi tenso, o presidente da comissão, Eli Corrêa Filho (DEM-SP), pretende restringir o acesso ao plenário.

SINAIS PARTICULARES 
Eli Corrêa Filho, presidente da Comissão de Viação e Transportes da Câmara (DEM-SP)

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Novos tempos. O Cidadania se reúne em 25 de outubro para alinhar o discurso para as eleições municipais nas capitais e cidades com mais de 200 mil habitantes. Roberto Freire quer focar em conexão e acesso wi-fi gratuito para a população.

Empurra… Os textos da reforma tributária, tramitando tanto da Câmara quanto do Senado, abrem brecha para o calote de empresas que têm créditos tributários acumulados a receber de Estados, municípios e da União, avaliam especialistas no assunto. Só no caso do ICMS das exportadoras, a estimativa é de que passe dos R$ 70 bilhões.

…com a barriga. Ao unificar tributos e extinguir os atuais, as reformas acabam com a forma como esses créditos são compensados. No relatório do senador Roberto Rocha (PSDB-MA), prevê-se a emissão de títulos públicos com prazo de 20 anos. A da Câmara ainda não tocou na questão.

Litígio… O setor empresarial teme a judicialização do problema. As empresas que chegarem por último correm o risco de não receber. O caso é comparado entre tributaristas às perdas com os planos econômicos.

…à vista. “Em bom português, a mudança tributária abre brecha para o calote. Não se pode brincar de Tiradentes com o pescoço alheio – no caso, o dos contribuintes”, diz o advogado Luiz Gustavo Bichara.

PRONTO, FALEI!

André Mendonça. FOTO: ROSINEI COUTINHO/STF

André Mendonça, advogado-geral da União: “Cabe a nós expormos nossa interpretação à luz da Constituição e termos análise imparcial, como de qualquer assunto”, sobre pauta de costumes no Judiciário.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E JULIANA BRAGA. COLABOROU ELIANE CANTANHÊDE

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