‘A reforma da Previdência será aprovada no 1º semestre’, diz Maia

‘A reforma da Previdência será aprovada no 1º semestre’, diz Maia

Marcelo de Moraes

02 Janeiro 2017 | 05h40

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ENTREVISTA/RODRIGO MAIA

Candidato à reeleição, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aposta que a aprovação da reforma da Previdência será feita no Congresso no primeiro semestre e representará um marco na retomada do crescimento do País. Ele avalia que a votação dessa e de outras reformas passarão confiança para investidores sobre a seriedade do novo governo. Um dos citados em delação feita por um executivo da Odebrecht, Maia nega as acusações e defende as investigações da Lava Jato. E diz que elas não vão atrapalhar a agenda de reformas.

Reeleição
Estou conversando com o meu partido e com outras legendas para tomar a decisão em janeiro. No meu mandato, em nenhum momento, separei partidos que me apoiaram e que não me apoiaram. Tratei todos da mesma forma. Como disse no meu discurso, sou um entre os 513 deputados da Casa. Por esse motivo, tenho certeza que a Câmara hoje tem um ambiente de paz que não tinha no passado. Porque não fiquei perseguindo aqueles que não me apoiaram. O próximo presidente tem de trabalhar com a mesma cabeça.

Questionamentos jurídicos
No caso de vir a ser candidato, tenho certeza que a contestação que alguns estão fazendo não é jurídica. A questão é política. É muito claro que a vedação à reeleição é para quem disputa a eleição no primeiro ano da legislatura e que não pode ser reeleito na mesma legislatura para um outro mandato de dois anos. O que não é o caso agora. Não há problemas no caso de mandato suplementar. Não há nenhum tipo de previsão constitucional vedando.

Previdência
Vai ser um primeiro semestre decisivo para o futuro do Brasil. A votação da reforma da Previdência será um marco na reorganização das contas públicas e no ajuste fiscal. Com a reforma aprovada, será gerada uma brutal confiança dos investidores nacionais e estrangeiros no Brasil, com impacto nos indicadores econômicos e no restabelecimento do crescimento. Vamos terminar de aprovar a reforma no Congresso no primeiro semestre.

Polêmicas
Embora alguns achem que vão perder direitos, eu discordo. Porque, se não fizer a reforma, a Previdência poderá ficar insolvente no futuro. Então, você vai acreditar num sistema que, daqui a alguns anos, não vai ter dinheiro para te pagar?

Reforma trabalhista
Tem polêmica, mas é muito importante. Alguns acham que esse arcabouço legal trabalhista protege o emprego. Temos a convicção de que o excesso de leis trabalhistas e as ações na Justiça trabalhista produzem efeito contrário. As leis hoje reduzem o número de empregos e o valor dos salários.

Lava Jato
Acho que os homens públicos têm de estar sempre preparados para prestar explicações. A vida de um político tem de ser aberta. Tenho certeza que muita coisa do que está se falando vai cair. Porque são informações falsas. As investigações têm o rumo delas, de forma independente, o que é importante. Mas isso não vai, de forma nenhuma, atrapalhar a agenda da Câmara para a recuperação econômica.

Pressão social
Muito da aflição da sociedade vem da crise econômica. É isso que a gente precisa superar. É importante que as investigações da Lava Jato aconteçam e é importante que todos respondam pelos seus atos. Aqueles que foram denunciados de forma caluniosa terão de ter seus casos arquivados. E os que têm problemas que respondam pelos seus atos. E tenho certeza que a investigação não vai atrapalhar o andamento das reformas.

Demora de retomada da economia
É claro que as pessoas cobram pressa na recuperação da economia. Mas há uma recessão profunda. Hoje as pessoas estão desempregadas e a renda não está dando para pagar as contas. Há desconforto enorme da classe média. Só que o impacto da crise econômica e o desequilíbrio das contas públicas praticados antes do governo Temer têm um preço a ser pago. Não tem milagre. O que pode ser feito são as reformas, para mostrar a seriedade do País.

ENTREVISTA A MARCELO DE MORAES

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES

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