A pandemia e o abuso do poder econômico

A pandemia e o abuso do poder econômico

Coluna do Estadão

15 de novembro de 2020 | 05h00

Foto: Dida Sampaio / Estadão

A pandemia do novo coronavírus teve impacto também de ordem econômica nestas eleições: candidatos viram no desemprego e na vulnerabilidade social dos eleitores janela de oportunidade para angariar “apoios” com a distribuição de produtos, como cestas básicas, por exemplo. A prática, em período eleitoral, pode configurar compra de voto. “Muitos se aproveitaram da covid-19 para fazer distribuições promocionais. Há indícios de que isso foi usado como compra de votos”, disse à Coluna Vera Taberti, promotora eleitoral em São Paulo.

Alerta. Em Minas Gerais, a situação também preocupa. “A compra de votos persiste. Uma prefeitura, por exemplo, sempre distribui cesta básica dia 25 (depois da eleição), mas queria antecipar para esta semana. O MP entrou com ação, e a Justiça proibiu”, diz Edson Resende, coordenador eleitoral do MP-MG.

Laranjal. Outro motivo de atenção: o uso de candidaturas laranja de mulheres. Nesse caso, porém, pode ter havido progressos.

Mudou. “Há uma mudança de postura das candidatas. Antes, algumas só emprestavam o nome para ajudar o partido, um parente, não queriam se eleger de verdade. Hoje, querem fazer campanha, estão interessadas na política, e os partidos não querem investir nelas”, afirma Vera Taberti.

Elas. Segundo a promotora, a maior conscientização das candidatas também deve fazer aumentar o volume de denúncias de irregularidades neste ano. As estatísticas, nos dois casos, claro, ainda não estão prontas.

Segundo turno… Médicos ouvidos pela Coluna avaliam que a votação de hoje em todo o País também servirá como teste de segurança sanitária para os eventuais segundos turnos nos grandes centros urbanos.

…e segunda onda? Há forte preocupação na comunidade médica e científica quanto a um provável aumento no número de casos de covid-19 no Brasil nas próximas semanas.

Preparado. O presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, porém, diz que o tribunal fez e fará o possível hoje e mais adiante “para que ninguém deixe de votar”.

SINAIS PARTICULARES.
Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral

Ilustração: Kleber Sales

Coincidência? Márcio França (PSB) perdeu fôlego nas pesquisas quando virou alvo da campanha de Bruno Covas (PSDB), especialmente no rádio e nas redes sociais. O tucano, como mostrou a Coluna, prefere “polarizar” com a direita legítima ou com a esquerda num eventual segundo turno.

Fica… Jair Bolsonaro e Paulo Guedes parecem não estar enxergando o mesmo cenário econômico. O presidente disse que, se vier a segunda onda, (dita como “conversinha”) “tem que enfrentar”. Para que a economia não “quebre de vez”.

…a dúvida. Para o ministro, porém, a recuperação econômica do País está tão forte e impressionante que a preocupação dele é não conseguir manter o ritmo alucinado do crescimento atual. Afinal, a economia está em risco de quebrar ou está crescendo com vigor?

Não está sendo fácil. O deputado federal Eduardo Bolsonaro subiu ontem em um trio elétrico para um candidato a vereador em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A dupla, porém, acabou sendo alvo de alguns xingamentos e muitas provocações.

CLICK. Lu e Geraldo Alckmin relembraram o filho, Thomaz, morto em 2015 em um acidente de helicóptero. Segundo Lu, ele adorava sobrevoar a Serra da Mantiqueira.

Reprodução/Instagram

BOMBOU NAS REDES! 

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no plenário da Corte durante sessão por videoconferência. Foto: Fellipe Sampaio /STF

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal: “O aumento de casos de covid-19 no Brasil nos relembra que a pandemia, infelizmente, ainda não acabou. Apesar de a situação ter melhorado em muitos locais, ainda há o risco de uma segunda onda, como ocorre na Europa. É necessário seguir respeitando as medidas de contenção ao vírus.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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