A muvuca de Bolsonaro no dia em que o País entra em alerta para a Ômicron

A muvuca de Bolsonaro no dia em que o País entra em alerta para a Ômicron

Alberto Bombig e Camila Turtelli

01 de dezembro de 2021 | 02h23

Evento de filiação de Bolsonaro ao PL, em Brasília, teve confusão e aglomeração em centro de convenções: risco durante a pandemia da covid-19. Foto: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

No dia em que o Brasil confirmou casos da variante Ômicron, o evento de filiação do presidente da República ao PL, em Brasília, foi marcado por grande aglomeração, espreme-espreme, empurra-empurra e desrespeito às normas sanitárias. Quase 400 pessoas (cálculo extraoficial), o dobro do previsto, compareceram ao centro de convenções onde Jair Bolsonaro oficializou a entrada no PL. Segundo apurou a Coluna, a situação fugiu ao controle após o Planalto ter alegado “questões de segurança” para assumir a organização. A origem da confusão está na ideia inicial do presidente de fazer algo modesto para transmitir “simplicidade”. Resultado: outro mau exemplo na pandemia da covid-19.

RISCO. Não houve exigência de comprovante de vacinação no evento. Máscara, como se sabe, não costuma fazer parte do “dress code” bolsonarista.

MUVUCA. Alguns ministros, como João Roma (Cidadania), Tereza Cristina (Agricultura) e Onyx Lorenzoni (Trabalho), passaram aperto para entrar no espaço onde foi realizada a filiação de Bolsonaro.

PRONTO, FALEI! Pedro Curi Hallal, epidemiologista

Foto: PEDRO HALLAL/TWITTER

“A exigência de passaporte vacinal é ainda mais importante em função da variante Ômicron… não podemos (e nem queremos) virar destino turístico dos adeptos do movimento antivacinas no mundo.”

MUVUCA 2. As autoridades passaram pelo lobby comum a todos os convidados e tiveram de acessar o espaço reservado por uma entrada estreita.

EU TAMBÉM. Onyx Lorenzoni confirmou a filiação ao PL e a intenção de disputar o governo do Rio Grande do Sul. “Ainda tem coisas para serem ajustadas, mas sempre com calma e jeito tudo se resolve”, disse à Coluna, referindo-se à formação dos palanques no Estado.

POLÍTICA… Ainda não há acordo entre Congresso e governo federal para a derrubada do veto presidencial à distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda e população vulnerável. Segundo interlocutores do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ele é a favor da derrubada do veto, mas a equipe econômica ainda tenta segurar.

…PÚBLICA. O relatório do projeto previa um gasto R$ 84,5 milhões por ano, com a delimitação do público a ser atendido de 5.689.879 mulheres..

MUTIRÃO. Há uma tentativa de acelerar a regulamentação da telemedicina. O projeto regulamenta as consultas médicas feitas por telefone, sucesso na pandemia, e está parado na Comissão de Seguridade Social da Câmara. Parlamentares, no entanto, coletam assinaturas para um requerimento de urgência para levar a medida diretamente ao plenário.

SINAIS PARTICULARES (por Kleber Sales), Sérgio Moro, ex-juiz

FARIA LIMER. Sérgio Moro decidiu assumir o discurso liberal e está estudando temas da economia para se aproximar do mercado financeiro e do setor produtivo. O ex-juiz sabe que o truque do “Posto Ipiranga” ficou velho, além do mais, Affonso Pastore, seu guru, se recusa a encarnar o personagem assumido por Guedes.

FARIA LIMER 2. Ou seja, a “garantia liberal” ao mercado financeiro e aos empresários terá de ser dada pelo próprio pré-candidato Sérgio Moro.

VOLTA…  Marta Suplicy, que, antes de deixar o PT, esteve à frente do movimento “volta Lula”, em 2014, agora se reaproxima do ex-presidente e do partido para a montagem de uma frente eleitoral contra Jair Bolsonaro.

…MARTA. Recentemente, como mostrou a Coluna, Marta também se reencontrou com Rui Falcão, deputado petista que ocupou a Secretaria de Governo na gestão dela na Prefeitura de São Paulo. O apoio à Lula, em 2014, causou o rompimento de Marta com Dilma Rousseff.

CLICK. Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República

Foto: COLUNA DO ESTADÃO

O retorno da viagem de Lula à Europa foi comemorado em um jantar na casa de Ana Estela e Fernando Haddad, em São Paulo, com a participação de Marta Suplicy, Marco Aurélio Carvalho (primeiro à esquerda), Márcio Toledo e Rosângela Silva (Janja), noiva de Lula.

SOMOS… O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, solicitou nova audiência com Rosa Weber para explicar à ministra a importância do pedido de ingresso do partido como amicus curae no STF junto à ação pela suspensão do orçamento secreto.

…CONTRA. A ação havia sido proposta inicialmente pelo Cidadania, que, após pressão de seus deputados, voltou atrás e desistiu do processo.
Os parlamentes do Novo e o pré-candidato do partido à Presidência, Felipe d’Avila, tem sido altamente críticos à manobra do orçamento secreto desde que ela foi revelada.

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