Senadora Gleisi Hoffman critica posição do Brasil em relação à Venezuela

Senadora Gleisi Hoffman critica posição do Brasil em relação à Venezuela

Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, ela condenou o não reconhecimento brasileiro da Venezuela na presidência do Mercosul

Coluna do Estadão

06 de agosto de 2016 | 16h59

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Foto: Dida Sampaio/Estadão

A presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), condenou o não reconhecimento da Venezuela na presidência do Mercosul por parte do governo brasileiro.

“A decisão do governo interino [de Michel Temer] contraria instrumentos jurídicos. A alegação de que a Venezuela não poderia assumir a presidência do bloco porque ainda não conseguiu cumprir toda a normativa do Mercosul prevista no Protocolo de Adesão é improcedente”, declarou em nota.

O Tratado de Assunção estabelece que a presidência do Mercosul deve ser alternada a cada seis meses entre seus membros, por ordem alfabética. Esta seria a vez da Venezuela, mas os outros países-membros (Argentina, Brasil e Paraguai), com exceção do Uruguai, não aceitam que o governo de Caracas assuma. No dia 12 de agosto, completam-se quatro anos da entrada do país no Mercosul, prazo estipulado para que o Estado venezuelano se adaptasse às regras do bloco.

A senadora Gleisi, porém, ressaltou que nenhum Estado do Mercosul, inclusive o Brasil, cumpre integralmente as regras do bloco. “Nosso país não ratificou vários protocolos e acordos firmados, e não aplica a Tarifa Externa Comum (TEC) em sua amplitude”, explicou.

Estratégias econômicas seriam o motivo mais forte para evitar indisposição com o país vizinho. Gleisi classifica a relação entre as duas nações como estratégica, e que não deveria ser prejudicada pelo que chama de “preconceitos políticos e ideológicos”, apesar dos conflitos internos que o governo de Nicolás Maduro sofre. “Exportamos para lá alimentos e produtos manufaturados sofisticados. A Venezuela também é vital para a nossa fronteira amazônica e para o suprimento de energia elétrica aos estados da região Norte”, afirmou. (Mariana Diegas)

 

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