Mudanças de última hora não seriam inéditas em SP

Mudanças de última hora não seriam inéditas em SP

Carlos Melo

25 de novembro de 2020 | 19h32

Foto: Nelson Almeida/AFP e Felipe rau/Estadão

 

Como tenho assinalado, o segundo turno disputado contra mandatário que tenta a reeleição é sempre plebiscitário: a administração é invariavelmente posta em escrutínio. Numa cidade como São Paulo, repleta de problemas, o apelo à crítica e ao julgamento e a revelação de mazelas são instrumentos comuns e, não raro, eficazes.

Há décadas no governo estadual e vencedor amiúde do pleito na Capital – com renúncias sistemáticas no meio do caminho –, os tucanos estão naturalmente submetidos ao desgaste: estranho seria se esta eleição fosse uma lavada em seu favor. Por mais que Covas busque transformar sua administração numa vitrine, ela não deixa de ser – independentemente de sua ação — também uma vidraça exposta. Não adianta se irritar com isso.

Por sua vez, sem carregar a rejeição dos “primos” do PT – ou a que teria Russomanno, com apoio de Bolsonaro – Guilherme Boulos tem sabido colocar-se tanto como franco atirador, quanto  como alternativa à espreita de um erro do prefeito; são circunstâncias desde sempre previsíveis. Jogo jogado; como dizia o locutor: esporte é saúde.

Bruno Covas segue na dianteira e a quatro dias da eleição ainda é favorito. Mas, como a donna da ópera, o eleitor também é móbile, suscetível a críticas e argumentos: além dos indecisos, há também a abstenção, agravada pelas sombras de uma segunda onda na pandemia — o maior apoio a Covas está justamente entre os mais velhos. Logo, impulsos e solavancos de última hora não seriam inéditos em São Paulo.

Carlos Melo, Cientista Político. Professor do Insper.

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