Voto a menos de R$ 1 e outras pechinchas

Gilberto Amendola

31 de agosto de 2012 | 17h30

Não adiantou o líder do partido alertar sobre os perigos de uma campanha onerosa. Alguns candidatos a vereador já estão se metendo em dívidas e até vendendo bens para bancar o sonho de chegar à Câmara Municipal.

Conversei com um candidato que encasquetou com a ideia de  fazer um total de votos alto, mas que não garantia automaticamente sua eleição – dependeria da votação do restante da chapa. Para atingir esse patamar, o meu colega de sigla já vendeu seu veículo e cogita se desfazer de outros bens.

Rebati dizendo que as grandes campanhas (em legendas maiores) estão gastando muito mais de R$ 100 mil – e que ele poderia estar rasgando dinheiro com esse “investimento”. O candidato não se abalou: “O segredo é saber como gastar.” Na conta dele, cada voto sairia pouco menos de R$ 1.

Outro colega de partido tem apelado a  parentes  e amigos. “Mil de um, quinhentos de outro, uma coisinha aqui, outra ali”, explicou ele.  Mais do que a promessa de pagar a dívida, o nobre candidato também tem acenado para a possibilidade de um futuro  cargo no suposto  gabinete ou possíveis ajudinhas pontuais.   “Quem me ajuda sabe que vai estar  junto comigo. Uma mão lava a outra”, diz.

Mesmo entre candidatos sem muita expressividade, o toma lá, da cá aparece como cultura assimilada. Como algo absolutamente normal.

Ao ser perguntado sobre quanto eu disporia, em termos financeiros, para realizar essa campanha, respondi de bate-pronto:

“Só a simpatia”. Ninguém achou graça.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.