Sobe ou desce?

Gilberto Amendola

10 de setembro de 2012 | 17h46

Demorou.

Mas fui reconhecido no elevador do prédio onde moro.

A mulher me olhou de fio a pavio, arrumou o óculos e mandou um ‘você é candidato’?

– Então…

Ela me contou que estava distraída, com a TV ligada, e que teve certeza ter visto alguém conhecido no horário eleitoral, alguém com quem ela nunca havia conversado antes, mas que não era um completo estranho, alguém com quem ela já tinha cruzado no próprio elevador.

– Então, eu sou…

Primeiro foi aquele sorriso amarelo ao qual eu já me acostumei. Na sequência, foi aquele “que bom” sem convicção…

Tive certeza que minha candidatura iria virar assunto na próxima reunião de condomínio.

Aliás, se a proprietária do meu apartamento decidir aumentar o aluguel, eu já vou saber o motivo.

Quando ela perguntou meu número, fiz o que tenho feito: contei a verdade.

Percebi o alívio no rosto dela.

Já não seria mais preciso passar o trinco na porta, não tem nenhum político morando no prédio. Sabe como é, animais de estimação também não são permitidos, mas tudo mundo faz vista grossa e deixa passar. Já com político…não sei.

PS: porteiro e zelador continuam ignorando minha candidatura. Bom sinal.

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