Ser corintiano pode ajudar nas urnas?

Gilberto Amendola

22 de setembro de 2012 | 22h32

Todo candidato precisa ir aonde o voto está. Mesmo que, na perseguição desses votos, o nobre candidato tenha que se colocar em algumas situações não muito confortáveis. Foi o caso, por exemplo, da minha panfletagem em frente ao estádio do Pacaembu, em dia de jogo do Corinthians.

Tive medo da receptividade do ‘bando de loucos’. Confesso que demorei para tomar coragem e entregar meu primeiro santinho nos arredores do estádio. Quando, enfim, respirei fundo e abordei um torcedor, recebi em troca um singelo dedo do meio.

Ok, não me abalei. Entreguei meu santinho para um flanelinha que me fez prometer trabalhar em prol dos guardadores de carro. Também fui abordado por outro representante da iniciativa privada, um cambista. Depois de me oferecer um ingresso pelo triplo do preço, recebeu o meu valioso santinho. Ele levou um susto, mas, basicamente, repetiu o pedido do guardador: “Tanta coisa pra melhorar e vocês só pensam em ferrar (versão educada) a gente”.

Quando cheguei à Praça Charles Miller, tive um momento de revelação. Ao menos cinco campanhas estavam atuando na frente do estádio. Mais do que isso: uma candidata ligada ao clube estava pessoalmente pedindo votos aos torcedores.

Não resisti e fui trocar santinhos com a minha concorrente. O staff dela me olhou desconfiado, mas não impediu que eu me aproximasse. “Sei que a senhora não vai votar em mim, mas gostaria de entregar o meu material para você”. A candidata recebeu e, em retribuição, me entregou o panfleto dela também. Nos abraçamos e trocamos dois beijinhos no rosto.

Tinha torcedor corintiano carregado de propaganda política. A maioria ia para o lixo ou diretamente para o chão. “Em época de eleição todo mundo é corintiano”, disse um torcedor ao receber minha propaganda.

Um membro de torcida organizada sugeriu, com sinceridade, que eu não perdesse meu tempo por lá. “A torcida já tem seus candidatos. Aqui você só vai gastar dinheiro e ser zoado”. O mais curioso foi quando tentaram negociar o voto em troca de uma improvável ajudinha para a caixinha que levará alguns torcedores a Tóquio – para ver a final do mundial.

Muitos perguntaram se o presidente do meu partido era corintiano. Bom, confesso que não sei. Mas, por via das dúvidas, mandei um ‘sim, claro’. Além disso, empenhei o meu apoio irrestrito ao Itaquerão. Aqui é Corinthians, mano!

 

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