Quanto custa o apoio de uma celebridade?

Gilberto Amendola

23 de setembro de 2012 | 22h01

Showmícios estão proibidos há algum tempo. Candidatos não podem mais patrocinar espetáculos públicos com artistas populares.

O que não quer dizer que eu, como legítimo candidato a vereador, não possa ter ao meu lado celebridades da televisão ou capas de revista.

Basta ter uma boa proposta – e eu não estou falando de ideias para o bem da cidade, não…

Liguei para empresários de três categorias específicas de celebridades: ex-participantes de reality show, dançarina de programas de humor e convidados constantes do Super Pop (Rede TV).

Por telefone, dizia que estava procurando figuras da mídia para participar de uma ação de campanha. Aliás, fui bastante específico, contei que a suposta ação seria uma panfletagem de 1h/1h30 em uma movimentada praça da zona leste.
– Não sei se ela faz esse tipo de trabalho… – me expliquei.

– Faz sim! – respondeu de bate-pronto a empresária, sem nem sequer perguntar qual era o meu partido e o que eu defendia.

A modelo/ ex-reality estaria ao meu lado no local, se deixaria fotografar e entregaria meu material de campanha. Além disso, acertamos que ela não estaria vestida de forma muito pudica – mas de saia ou um vestido curto. Outro detalhe: sigilo. A celebridade não poderia revelar nada sobre o contrato. Se perguntada, arranjaríamos uma desculpa diferente – crença nas propostas ou amizade.

O preço?

R$ 5 mil (fora o transporte).

Tentei argumentar que o preço estava um pouco salgado e que a campanha teria dificuldade para conseguir recursos…
– Olha, você não tem noção do retorno de mídia que isso trás. A partir do momento em que você aparecer ao lado dela, essa foto vai se espalhar para todos os sites de celebridade do Brasil.

Ainda assim, achei o valor muito alto. A empresaria não titubeou e me deu outra possibilidade. A hipótese de ter duas celebridades no meu evento de campanha: a ex-reality e uma dançarina famosa pela bagatela de R$ 8 mil. Um desconto de R$ 2 mil pelo pacote.

– Isso daria muita mídia – enfatizou a empresária.

Disse que precisaria pensar e que gastos de campanha são decididos por uma equipe e tal. Antes de desligar, lembrei de dizer que precisaria de nota para justificar o gasto e estar de acordo com a lei eleitoral.
– Com nota? Olha, com nota é 17% mais caro.

Argumentei que esse seria um complicador, mas que ligaria mais tarde. Não liguei.

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