Os dilemas imobiliários dos candidatos

Gilberto Amendola

28 de agosto de 2012 | 16h24

Em bate-papo informal com outros candidatos, descobri uma das grandes aflições dos aspirantes a vereador: “Depois de eleito, devo continuar morando no mesmo bairro e na mesma casa em que moro hoje?”

A corrente do “onde está fica”  acredita que o candidato deve continuar morando no bairro que o elegeu. Por essa tese, esse tipo de compromisso é capaz de angariar alguma simpatia entre seus eleitores mais  próximos – além de passar a mensagem de que, se eleito, o candidato não “viraria a cara” para sua comunidade de origem. Conheci candidatos que, inclusive, estão fazendo essa promessa aos seus supostos eleitores.

Já a corrente “o mundo gira e a lusitana roda” não esconde o desejo de se mudar tão logo o resultado das urnas aponte para a vitória. Essa corrente acredita que a vida na mesma casa e bairro seria inviável, que a demanda de vizinhos e amigos seria algo insuportável. Conversei com candidatos que já imaginam uma fila de eleitores batendo à sua porta (atrás de pequenas benesses). A saída, para representantes desse grupo, seria abrir um escritório político em sua região – e se mudar para um bairro com menos demanda ou onde o vereador fosse quase um anônimo.

Tenho pensado muito nisso, sabe?  É que meu contrato de aluguel vence em maio…

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