Onde os inocentes não têm vez…

Gilberto Amendola

21 de setembro de 2012 | 23h12

Quantos fulanos da farmácia ou  sicranos do açougue já foram eleitos para a Câmara Municipal de São Paulo? Quais as chances de alguém com um apelido exótico, engraçadinho ou de duplo sentido emplacar uma candidatura a vereador numa cidade do tamanho da nossa?

Ao menos na capital, a resposta seria um banho de água fria nos concorrentes que apostam neste diferencial. Não que eu queira desanimar meus colegas de disputa, mas acho difícil que o Magricelo Paz e Amor, que o Cabeça de Prego ou que o cara lá do jegue desdentado consiga alguma coisa mais consistente.

Exceções existem, mas são tão pontuais que sequer fazem cócegas nas estatísticas.

Então, meus amigos, por que tantos candidatos insistem nessa abordagem lúdica da própria carreira política? Será que já não deu pra perceber que a tática do cacareco não costuma dar certo? Ou, pelo menos, que um Tiririca não acontece em todo santo pleito?

Ao conviver com alguns postulantes exóticos à Câmara, percebi um certo grau de inocência.

Não digo inocência de propósito (quase todo mundo só pensa em se dar bem), mas uma inocência em relação às regras do jogo eleitoral – aqueles detalhes que separam um candidato de verdade de um Zé Mané.

A maioria dos candidatos não sabem, por exemplo, como calcular o coeficiente eleitoral (número de votos necessários que um partido precisa para emplacar um representante). Poucos também já  se debruçaram sobre as vantagens e desvantagens de concorrer por um partido pequeno.

Do jeito que certas figuras  comportam-se (ou abordam a própria candidatura), parece até que votos brotam do chão ou caem feito chuva. É fácil ouvir candidato que teve menos de 300 votos em eleições passadas falando de 20, 30 mil apoiadores desta vez.

Sonhar não custa nada, certo? Pode até ser, mas que já tive vontade de dar um chacoalhão em alguns companheiros de jornada, isso eu tive.

Por outro lado, os partidos usam e abusam dessa ‘mão de obra’ empolgada. Ou seja, beneficiam-se de candidatos sem a mínima chance de chegar a lugar algum. Com eles, cumprem cotas, preenchem espaços no horário eleitoral, faturam votos no varejo e justificam gastos de campanha.

Tem muito candidato, que se acha muito esperto, sendo feito de bobo por aí…

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