O ‘liberou geral’ dos candidatos

Roberto Fonseca

26 de setembro de 2012 | 16h25

Prenda-me se for capaz.

Digo isso pelo simples motivo de que você não será.

Desde o último dia 23, os candidatos (eu, por exemplo), membros de mesa receptora e fiscais de partido não podem ser detidos ou presos.

A não ser em flagrante delito.

A situação colocou-me aquela questão que tanto assombrou o filósofo Alexandre Pires: “O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade”?

Que vantagens poderia tirar desse “free pass”?

1 – Dançar o gangnam style em plena Avenida Paulista.

2 – Ouvir funk sem fone de ouvido no ônibus lotado.

3 – Ler ’50 Tons de Cinza‘ em voz alta na frente de uma igreja.

4 – Convidar o ursinho Ted e o Protógenes para tomar um chope e sair sem pagar a conta.

5 – Surfar na esteira de bagagens de um aeroporto.

6 – Restaurar um quadro do MASP usando técnicas similares àquelas empregadas pela restauradora espanhola (dona Cecília).

7 – Publicar em um jornal de grande circulação o final da novela Avenida Brasil.

8 – Terminar qualquer frase com a expressão “imagine na Copa” durante 24 horas. ­

9 – Usar o penteado do Neymar.

10 – Pegar a lista de proibições do Kassab e botar pra quebrar.

Pois é, fiquei matutando aqui e não me ocorreu nenhuma extravagância digna de nota.

Ao menos nada que eu já não tenha feito, mesmo sem essa prerrogativa (he he he).

O que aconteceu com meu senso de aventura?

Teria eu, político em fase de aprendizado, já me transmutado em um “ser coxinha”?

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