O 7 de Setembro e o ‘tempo da ditadura’

Gilberto Amendola

08 de setembro de 2012 | 23h30

Vesti azul e sai em campanha no Dia da Independência. Escolhi, é claro, dois pontos estratégicos para qualquer corpo a corpo realizado nesta data: o Sambódromo do Anhembi (onde aconteceu o desfile da Independência) e o Museu do Ipiranga.

Nos arredores do Anhembi, talvez por influência daquele ambiente militarizado, pude participar de uma tradicional discussão sobre “o tempo da ditadura”. “Olha, eu não vou votar no senhor e em ninguém. No meu tempo as coisas eram sérias”, argumentou um senhor. Um grupo que estava por perto deu razão ao homem. “Na época dos militares a gente tinha segurança”, afirmou uma mulher que, asseguro, não tinha idade para ter vivido o período. “Também não tinha esse bando de safado que está na política hoje”, completou outra senhora.

Fiz aquilo que considero obrigação de todo o candidato (seja ele real, acidental ou “cacarecal”), argumentei em favor da democracia. Infelizmente, não tive sucesso. Fui chamado de “esquerdinha”. “Acho que você está no partido errado”, me alertou um eleitor.

Na entrada do Sambódromo, cruzei com “Carecas do ABC” – grupo conhecido pelo ultranacionalismo e pela violência. Seria um bom teste para o meu poder de persuasão… Ou não?

Cheio de medo e preconceitos, respirei fundo e estendi a mão, oferecendo meu santinho.

O grupo de carecas me trespassou como se eu você um fantasma. Fiquei no vácuo…

Depois do desfile, fui para o Museu do Ipiranga. Lá, senti a pequenez (e a invisibilidade) de um candidato sem recursos, sem cabos eleitorais e outros artifícios. Foi impossível me destacar no meio de centenas de pessoas trabalhando para meus concorrentes. Mais do que isso, quase fui atropelado por uma carreata de um candidato a prefeito. Entendi que esse tipo de candidatura quixotesca, do sujeito que só pode contar com ele mesmo, não tem futuro numa cidade como São Paulo. Neste caso, a independência é a morte eleitoral.

 

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