No peito de um cacareco também bate um coração

Gilberto Amendola

30 de agosto de 2012 | 00h24

Depois que apareci na TV, muita gente veio me dizer que eu precisava ter sido mais extravagante – e não parecido com um guarda-livros deprimido.

Concordo.

Mas é tão difícil ser cacareco.

(suspiro…)

O sujeito cacareco nasceu para interpretar esse papel, tem pouco ou quase nada a perder.

O candidato com vocação para  o espetáculo pode gritar, imitar o som de um animal no cio, segurar uma galinha d’angola ou se vestir feito um marinheiro de filme B. Ou seja, pode tudo. Nada do que ele fizer na tevê vai afetar o seu cotidiano, seu trabalho ou seus relacionamentos.

O cacareco político é um sujeito livre por excelência.

Um espírito kamikaze.

Merece respeito.

Eu não.

Quer dizer, mereço respeito, mas não sou tão espontâneo ao ponto de imprimir personalidade em 3 ou 4 segundos de exibição. Tenho lá os meus pudores.

Sofro de vergonha alheia.

Portanto, alma de cacareco não se inventa.

Ou como diria Caetano Veloso,  o cacareco  é “único, indivíduo, maravilha sem igual”.

Tudo o que sabemos sobre:

Cacarecocandidato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.