Não aceite carona de políticos estranhos

Gilberto Amendola

04 de outubro de 2012 | 23h37

Alugar vans, Kombis ou micro-ônibus para transportar eleitores para votar em você. Taí, um crime eleitoral clássico – mas tão batido que eu acreditava ter saído de moda há uns 12 anos.

Enfim, mesmo convencido de que tal prática já era página virada na nossa história política e riscada completamente dos nossos usos e costumes, decidi ligar para algumas empresas de fretamento. Sabe como é ? Só por desencargo de consciência…

Por telefone, me apresentei como candidato a vereador – e disse que estava precisando contratar os serviços de van (ou micro-ônibus) para transportar eleitores de uma comunidade de Engenheiro Marsilac, no extremo sul da cidade, até o Grajaú e outros bairros próximos. Deixei claro ao meu interlocutor que “estava levando eleitores para votar em mim”.

Torci para que alguém batesse o telefone na minha cara ou que, ao menos, me lembrasse da ilegalidade do ato.

– Ah, sem problemas. Já estamos acostumados com esse tipo de trabalho. Aliás, eu até preciso ver se existe disponibilidade de veículos para o dia 7…

– Como?

– É que temos 90% da nossa frota já comprometida com outros candidatos.

– Pelo mesmo motivo? Para levar gente para votar?

– Sim. Para levar eleitores dentro de São Paulo e para outros Estados também.

Mais uma vez, deixei claro que aquilo era ilícito (caso a pessoa do outro lado da linha ainda tivesse alguma dúvida), mas só recebi garantias de que o serviço seria discreto, que poderia marcar um ponto não “descarado” para a van estacionar e “descarregar meus eleitores”.

Achei o preço salgado: R$950 (um micro-ônibus com capacidade para 27 pessoas). “Nosso frigobar estará cheio de garrafas d’água. É grátis. Um oferecimento da empresa”, respondeu o atendente.

Até pensei que podia ter dado “azar” e ligado justamente para a empresa que, infelizmente, estava se sujeitando a esse tipo de ilegalidade. Então, liguei para mais quatro companhias.

Claro, você já desconfia da resposta: todas aceitaram o trabalho e disseram ter experiência com outro candidatos em dia de eleição. A única variação foi em relação ao preço. Teve gente que me cobrou R$ 400, R$ 450 e até R$ 45 ou R$ 40 a hora de trabalho. A discrição do serviço, segundo todos eles, seria total. Eu sei que é clichê, mas não consigo deixar de pensar naquela frase: “Se isso acontece numa cidade do tamanho de São Paulo, imagina em outras cidades”.

 

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