Julgando o candidato pela capa

Gilberto Amendola

27 de agosto de 2012 | 21h30

Os livros inspiram políticos de toda estirpe. Não é raro ouvir candidatos citando uma ou outra obra em seus discursos. A simples menção de um autor famoso parece emprestar dignidade a todo o falatório. Por exemplo, A Arte da Guerra, de Sun Tzu, virou um belo clichê para candidatos mais letrados.

As biografias também costumam dar aquele verniz de inteligência aos seus leitores. Em uma das eleições passadas, a moda era ler a biografia de Winston Churchill.

Candidatos mais conectados com o gosto popular tendem a citar obras de autoajuda como Quem Mexeu no Meu Queijo ou algo meio religioso como A Cabana. Político que não suporta um livro pode se apoiar no clássico Onde Está Wally? E se divertir com as figurinhas…

Talvez, neste pleito, alguém se arrisque citando 50 Tons de Cinza. Quem?

Tudo isso para dizer que hoje fui presenteado com o livro que vai me acompanhar nessa campanha: Como Woody Allen Pode Mudar Sua Vida, do psicólogo e psicoterapeuta francês Éric Vartzbed.

Um dos capítulos se chama “Como se desinteressar da política?. Nele, o autor analisa uma frase de um dos personagem do filme Interiores: “Não posso me interessar por política, sou egoísta demais”.

A obra também faz uma analise interessante do filme Zelig (sobre um sujeito comum, até desinteressante, que tem a capacidade de absorver a personalidade e a aparência das pessoas que o cercam). Por motivos óbvios, esse é o filme que o candidato acidental levaria para uma ilha deserta – isso, é claro, se houvesse um jeito de ligar meu aparelho de DVD em alguma tomada.

Como candidato também escolhi uma passagem do livro para me acompanhar e consolar nesta empreitada: “Se me dizem que meu filme foi mal recebido, apenas lamento que não tenha tido melhor acolhida. Mas isso não faz grande diferença. O verdadeiro prazer está em fazer o filme. Nem sucesso, nem desastre, apenas o projeto de fazer o filme, como uma bela colagem. É assim que se mantêm as pessoas ocupadas nos asilos psiquiátricos” (Woody Allen).

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