Eu prometo não ser eleito vereador de SP

Sou candidato a vereador. Prometo não divulgar meu nome, número ou partido. Prometo também não pedir o seu voto. Aliás, não vote em mim. Combinado? Prometo, a partir de hoje, contar a rotina de um político iniciante – da escolha do partido até os detalhes microscópicos do corpo a corpo eleitoralPrometo, a partir de hoje, contar a rotina de um político iniciante – da escolha do partido até os detalhes microscópicos do corpo a corpo eleitoral

Roberto Fonseca

22 de agosto de 2012 | 00h00

Sou candidato a vereador. Prometo não divulgar meu nome, número ou partido. Prometo também não pedir o seu voto. Aliás, não vote em mim. Combinado?

Prometo, a partir de hoje, contar a rotina de um político iniciante – da escolha do partido até os detalhes microscópicos do corpo a corpo eleitoral. Aqui, você vai conhecer os bastidores improváveis da corrida por uma vaga na Câmara Municipal.

Mas os caros (e)leitores devem estar se perguntando: sua candidatura é real, para valer?

Sim e não.

“Sim” porque ela está registrada no Tribunal Regional Eleitoral, tem CNPJ e cumpriu todas as exigências da nossa legislação (sou ficha limpa!).

“Não” porque não pretendo ser eleito, não quero o seu voto e espero que você use-o de forma consciente.
Em São Paulo, são, por ora, 1.152 candidatos para 55 cadeiras – numa média de 21 candidatos por vaga. Ou seja, na matemática fria é muito mais difícil entrar em jornalismo na USP (39,78 candidatos por vaga) do que virar um nobre vereador. Claro que a matemática não entende nada de política partidária – e eu fiz faculdade particular. Tudo isso pra dizer que há “chance zero” de eu largar esse vida nababesca de jornalista para virar parlamentar.

Essa candidatura começou a nascer em 2010, no final das eleições presidenciais daquele ano. Fui convidado para embarcar nesta aventura durante um “papo de café” nos corredores do JT. A ideia me pareceu tão inexequível, tão arriscada e maluca que não titubeei em dizer “sim” – imaginando que, obviamente, ela nunca fosse sair do papel.

Em 2011, cumprindo normas eleitorais, me filiei a um partido e segui todos os trâmites legais de um postulante à vaga de candidato. Ainda assim, esperava que o projeto fosse esbarrar em algum obstáculo, alguma pedrinha jurídica e tal e cousa. Qual o quê…? A candidatura virou!

Já participei de reuniões, tirei fotos, conheci outros candidatos e saí em campanha. Estou ansioso para escrever sobre tudo isso.

Claro, ainda estou com medo. Tenho sido “zoado” pelos amigos que sabem dessa empreitada – e não sei o que vai ser da minha vida quando eu aparecer no horário eleitoral. Mas, agora, não tem como voltar atrás… Portanto, do alto deste palanque, eu prometo que vai ser revelador, curioso e divertido.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.