E se você ganhar…?

Gilberto Amendola

03 de outubro de 2012 | 23h33

A pergunta que eu mais ouvi durante todo esse tempo de campanha foi: “Você é louco?”

Não, brincadeira. Essa foi a segunda indagação mais ouvida, segundo o meu próprio instituto de pesquisa.

A questão campeã foi: “E se você ganhar…”

Ora, vejamos, se eu ganhar prometo sair na rua vestido de Carmem Miranda; mergulhar pelado no Tietê ou  qualquer outra coisa sem cabimento…

Pois é, quem acredita naquela conversa de livro de autoajuda de que nada é impossível vai ficar muito magoado comigo.

É impossível sim, senhores.

Vamos aos fatos:

1 – Não tenho divulgado meu nome ou número no blog. E nem quero que isso ocorra, antes que alguém tenha a ideia.

2 – Minhas ações de campanha foram pontuais e bastante controladas. Ao menor sinal de que a pessoa se convenceu a votar em mim, revelava meu segredo – e demovia o quase futuro eleitor de suas intenções.

3 -Apareci no horário eleitoral no comecinho. Embora tenha sido obrigado a divulgar meu número na TV (durante aquela semana), sou capaz de apostar que praticamente ninguém se deu o trabalho de anotá-lo.

4 -Amigos, parentes e jornalistas que sabem quem sou eu (e já pesquisaram meu número) estão conscientes da natureza da minha candidatura. Portanto, não devem votar em mim.

Ok, mas e se tudo isso der errado. Se meus amigos, parentes e jornalistas acordarem no domingo e decidirem apertar o meu número na urna e confirmar; mais, se todos meus seguidores do Facebook, do Twitter e sei lá que  outra rede social se empolgarem com a minha candidatura; e tem mais ainda, se todas as pessoas que, porventura, se impressionaram com minha pífia performance televisiva ou ainda tenham sido seduzidas pela forma como eu distribuo os meus santinhos ou posiciono meu cavalete votarem em mim…

Amigos, se eu somar tudo isso, não chegarei nem perto de beliscar coisa nenhuma.

A realidade é dura.

Mas existe um negócio chamado coeficiente eleitoral.

E é ele quem coloca um ponto final nas probabilidades da minha eleição.

O tal coeficiente é  obtido pela divisão do total de votos válidos apurados pelo número de vagas a serem preenchidas.

Aqui em São Paulo, o tal coeficiente vai girar em torno dos 120 mil (ou algo bem perto disso).

Para eleger um vereador, meu partido/coligação precisaria atingir esse número (votos nominais e legenda). Esse não tem sido o histórico da legenda.

Ainda que, desta vez, seja diferente, que a minha legenda, enfim, alcance o número mágico, ainda assim, preciso dizer que existem outros candidatos no mesmo partido com potencial eleitoral maior que o meu.    Portanto, existem pelo menos uns dez sujeitos na minha frente – que poderiam se eleger caso o partido atingisse esse improvável coeficiente eleitoral.

Ou seja, não, não serei eleito.

Se for…Carmem Miranda na Paulista na segunda-feira de manhã.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.