Debaixo dos caracóis dos meus cabelos

Gilberto Amendola

13 de setembro de 2012 | 23h28

Como contei na coluna da última quarta-feira, fui acusado, em plena gravação do horário eleitoral, de ser “um infiltrado no partido”.

– Você é um espião?

– Eu…er…(engoli seco).

– Você é o ***!

Pois é, me acharam parecido com um político de outra legenda – principalmente pelo estilo desarrumado das nossas cabeleiras.

Não me incomodei com o apelido. Só fiquei um tiquinho amuado quando também me consideraram o sósia (ou cover) de um candidato a vereador de sigla rival – e, de novo, pela minha estrutura capilar. Preciso de um corte novo…

Passadas as piadas, gravaríamos com uma liderança do partido. Ou melhor, serviríamos de cenário para ele brilhar.

Para que isso ocorresse, tudo foi padronizado: o posicionamento diante das câmeras, o gestual e outros itens que, para não estragar o disfarce, eu não posso revelar por enquanto. Mas confesso que, para quem chegou todo trabalhado na elegância, foi uma decepção. Não tive nem como pensar em me esconder.

No mesmo dia da gravação, pude sentir os primeiros indícios de frustração entre os colegas de sigla.

O atraso na entrega de material de campanha estressou muita gente. Faixas, banners e bandeiras não foram confeccionados no prazo combinado. Presenciei conversas mais ríspidas entre coordenadores do partido e aspirantes à Câmara Municipal. “Vocês estão nos abandonando”, bradou um candidato. A resposta foi igualmente dura: “Se quiser, pode renunciar”.

Segundo um dos candidatos mais revoltados, o partido havia prometido até R$ 30 mil para a montagem de comitês em bairros específicos. Promessa que, justiça seja feita, nunca ouvi nas reuniões de que participei. “Que maluco daria R$ 30 mil para um candidato desconhecido?”, indagou um colega de legenda, que também nunca ouviu a tal promessa.

Outro detalhe curioso foi observar a tensão entre os dois candidatos, supostamente, mais fortes da sigla – que seriam os “puxadores de votos”. Eles passaram o dia se alfinetando e criticando o material de campanha um do outro. O comportamento competitivo da dupla soou antipático para os demais. “Eles ‘tão’ se achando”, disseram.

A dupla conta com um desempenho entre 15 a 30 mil votos. Eles perguntaram quantos votos eu imaginava receber. Fui honesto: “Acho que nem eu vou votar em mim…”

Risadas e incompreensão.

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