Andar dentro da lei é sinônimo de prejuízo

Gilberto Amendola

09 de setembro de 2012 | 23h20

Depois de experimentar o calor das ruas, entregando meus próprios santinhos, resolvi orçar uma campanha mais profissional, com direito a equipe de panfletagem, bandeiras, cavaletes, camisetas e outros que tais.

Por telefone, procurei algumas agências e gráficas especializadas em material eleitoral. Qual foi a primeira pergunta que me fizeram? “Com nota ou sem nota?”

Ao titubear na resposta, meus interlocutores percebiam, invariavelmente, que estavam tratando com um marinheiro de primeira viagem, com o último candidato virgem:

– É a sua primeira vez?

–Sim..

– Então, com nota é mais caro!

No mundo dos cabos eleitorais pagos e dos mimos de campanha, o “por fora” sai 8% mais barato. Ou seja, andar dentro da lei é sinônimo de prejuízo (segundo a Justiça Eleitoral, todo gasto de campanha precisa ser feito por meio da conta eleitoral e a emissão e apresentação de nota fiscal é obrigatória).

– Muitos candidatos preferem pagar por fora mesmo. Facilita e descomplica, comentou o contato de uma agência.

Outro importante detalhe: pagamento, só a vista. É quase impossível encontrar quem parcele alguma coisa em ano de eleição. Ninguém precisa ser muito perspicaz para descobrir o motivo. “Muito calote. Uma hora a gente acaba aprendendo…”, disse um fornecedor.

Uma equipe de panfletagem (5 integrantes e mais um supervisor) sai por R$ 350 (4 ou 5 horas de trabalho). Já por R$ 70, você consegue um cabo eleitoral avulso. Bandeiras, faixas e cavaletes são materiais caros – que, em média, saem R$ 50 (unidade).

Se eu conseguisse convencer um amigo a “envelopar o carro” com o meu número e nome de candidato, gastaria R$ 960 para tal disparate. Já aquele adesivo horroroso de para-brisa é mais baratinho, R$ 10 (a unidade). Se eu quisesse encher a paciência do eleitor com um carro de som, desembolsaria R$ 250 por hora.

Uma campanha mais encorpada pediria um jingle personalizado. Uma musiquinha mequetrefe, feita numa produtora barata, custa uns R$ 400. Ter um site bacana para divulgar minhas propostas pode custar a bagatela de R$ 3.500. A outra opção é um blog meia boca, que vai me custar uns R$ 250.

Infelizmente, meu sonho eleitoral, um bonecão com a minha cara (para lutar MMA contra o Kassabinho), seria inviável economicamente. Um João Grandão desses custa uns R$ 2 mil. Que pena…

 

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