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Trocas dentro das instituições de Ensino após dois meses de isolamento.

Humberto Dantas

04 de junho de 2020 | 10h06

Autor do texto:

André Lopes é líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública, educador, consultor e pesquisador de Autoconhecimento na Educação

No texto, o líder levanta a importância de conversar durante o período de pandemia que estamos vivendo, principalmente dentro das instituições de ensinos, com trocas entre professores, alunos e diretoria. De acordo com ele, externalizar seus pensamentos e sentimentos permite colocar para fora o que está dentro de si e encontrar  similares. Confira:

Com a proliferação do vírus COVID-19 e o consequente isolamento a partir de março, nossa rotina foi afetada, e o momento é tão único e inesperado que não excluiu ninguém nestes mais de dois meses. Mudanças costumam produzir stress para nosso organismo, que precisa lidar com o novo até uma nova adaptação, causando efeitos sobre nós nos aspectos emocional, físico e material. A oportunidade de compartilhar o que estamos vivendo e sentindo poderá ser um alívio para enfrentar cada dia.

O contexto da quarentena é de medo, de doença, de crise econômica e de restrições em nossa liberdade de circular e encontrar pessoas; há um clima de grande desânimo na sociedade, o que só aumenta nosso stress. Mesmo quem possa ter se beneficiado em algum aspecto – algumas pessoas viram seus negócios faturarem mais, outros aproveitam a diminuição no ritmo de trabalho para descansar – sente o clima pesado.

Para além do coletivo, há as individualidades: a maneira como cada um reage, os pensamentos repetitivos, a forma de encarar o isolamento, o medo e as perdas humanas. Como seguir adiante com as aulas online sem falar sobre o que cada um está vivendo e sentindo? Como aprender, quando questões tocam nosso emocional, nos angustiando? A ocasião enseja uma conversa na qual cada um compartilhe o que mudou em seu cotidiano, mas também o que está sentindo, pensando e sonhando.

Ao externalizar seus pensamentos e sentimentos, cada pessoa poderá desabafar, colocando para fora o que se cozinhou internamente nestes tempos; no mínimo encontrará ouvidos atentos. Quando escutar aos demais poderá compreender que também sofrem ou se alegram com coisas diferentes ou até parecidas com as suas. Aprendemos que cada um reage à sua maneira aos acontecimentos, mas que todos somos seres humanos com inseguranças, sonhos, dores e alegrias. Poderemos perceber que, ao final deste processo de quarentena e escuta, oportuniza-se criar uma conexão entre alunos, professores, coordenadores e gestores escolares a partir da história de cada um, inaugurando uma nova fase nas relações da escola.

Realize entre as pessoas da escola um momento de escuta, entre os alunos com seus professores, entre os professores e a gestão escolar. Todos vivemos este desafio. Para que as pessoas se abram e contem com profundidade seus sentimentos, basta a primeira pessoa abrir seu coração, assim um professor poderá começar contando sobre si para os alunos ou um coordenador para um grupo de professores. Reservem tempo, sem apressar as falas, divida as pessoas em alguns encontros ou faça da prática uma atividade de rotina na escola.

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