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Tecnologia e inovação no uso de dados no governo

Humberto Dantas

17 de dezembro de 2019 | 14h02

Autora do texto:

Ana Paula Guzela Bertolin é mestre em Administração, com área de concentração em Gestão Estratégica da Informação e do Conhecimento pela PUC/PR. Ela também é líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública. Atualmente, é Assessora de Projetos no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba – IPPUC.  Neste conteúdo, Ana Paula fala sobre tecnologia e inovação no governo, trazendo também a importância da transparência no uso de dados. Leia:

É fato que assunto tecnologia, inovação e governo nos instiga. Em uma publicação anterior, foi abordada a questão de inovar nos serviços públicos, co-criando com os cidadãos e, para tal, a importância dos governos em abrirem seus dados. Portanto, a partir do momento que o governo decidir promover iniciativas de governo aberto, o movimento interno, dentro de suas instâncias, deve ser difundido para que haja a institucionalização das práticas, que de nada adiantam se não houver o comprometimento de todos os envolvidos.

Além disso, sabemos que mesmo com planejamentos à longo prazo, como exemplo os Planos Diretores para as cidades, iniciativas como essa estão a mercê de mudanças nos planos de governo. Diversos direcionamentos oriundos de impasses partidários, além das dificuldades em se cumprirem metas, comprometem os esforços dispendidos para a merecida continuidade e planejamento de diversas ações. A definição de Política Públicas que perpetuem, além de processos menos burocráticos e mais ágeis para adaptação a modelos ágeis é um desafio a ser superado em uma era digital onde o senso de urgência predomina, e modernizar é preciso!

Portanto, muito se fala em transparência e abertura de dados, mas nos cabe questionar qual é a maturidade do governo para que execute esse tipo de iniciativa. Existem modelos aplicados mundialmente para aferir este indicador, assim como modelos de avaliação de iniciativas de dados abertos dos governos, mas pesquisas mostram que ainda temos muito a evoluir com relação a este assunto. Co-criar com o cidadão exige um grau de maturidade alto, assim como um real comprometimento do governo para com os agentes sociais.

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Parece uma tarefa fácil, porém não é. É necessária uma séria e grande reorganização em seus sistemas de dados que exige, inclusive, uma reorganização de times e competências em suas estruturas e processos para que fortaleçam o design e a tecnologia e tantos outros fluxos geradores da modernização e inovação. Este é um dos processos que caracteriza o conceito de governos orientados à entrega.

Neste contexto, a pergunta que não quer calar é: e o cidadão? Qual é seu grau de maturidade e conhecimento para poder interagir com o poder público a nível de poder contribuir com uma participação efetiva e de qualidade nos assuntos a que se refere aos serviços prestados? 

Existem diversos movimentos de sucesso conhecidos mundialmente que reúnem pessoas que usam suas habilidades para auxiliar o trabalho do governo nesse sentido e fazem a interação entre as partes envolvidas. Movimentos que tomaram foco com o Governo Obama em sua iniciativa de Governo Aberto fizeram com que essas duas instâncias, governo e sociedade, tivessem sucesso neste trabalho conjunto, viabilizando a entrega de serviços do governo para cidadãos. 

No trabalho conjunto em um governo orientado à entrega, baseado na qualidade e agilidade da prestação de serviços ao cidadão, os atores sociais devem, de forma colaborativa, aprender a orientar políticas públicas, por meio de uma participação efetiva em seu processo de criação e execução. A partir da efetivação desta prática o movimento dentro do ecossistema acontece e a já conhecida Espiral do Conhecimento se torna possível ao se utilizar dados de qualidade disponibilizados pelo governo em tempo real para transformar informação e gerar conhecimento em prol da inovação para um governo mais eficiente.

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