As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Res publica

Flávio Emílio Rabetti é Diretor de Convênios e Contratos na Prefeitura Municipal de Campinas. Professor na Escola de Governo do Servidor. Master em liderança e gestão pública com módulo em Oxford – Blavatnik School of Government- Inglaterra pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Pós-Graduado em Direito Público com ênfase em Direito Constitucional e Administrativo pela PUC Campinas. Graduado em Direito pela USF.

23 de novembro de 2020 | 11h01

No último dia 15 do mês, comemoramos a Proclamação da República, fato pouco lembrando em decorrência das eleições municipais ocorridas no mesmo dia que dominaram grande parte das notícias e discussões durante o dia e noite, já que os resultados dos pleitos demoraram para ser disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A comemoração se deu em virtude do ocorrido em 15 de novembro de 1889, na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, iniciando a forma republicana presidencialista de governo no Brasil, fazendo com que surgisse o cuidado com a Coisa Pública ou Coisa do Povo (em latim Res publica).

Desde então, nosso país celebra o evento que destituiu o imperador através de um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca e instituiu um governo provisório republicano, que se tornaria a Primeira República Brasileira. Fato é que a cultura monarca pelo Poder não desapareceu integralmente em nossa sociedade, e nas eleições municipais podemos confirmar essa hipótese, uma vez que a relação dos prefeituráveis e a vereança traz consigo uma busca pelo PODER.

Como já dizia Franco Montoro na luta pela redemocratização: “Ninguém vive na União ou no Estado, as pessoas vivem no Município” em razão disto, há um sentimento direto dos munícipes pela proximidade com os candidatos, diferentemente dos outros pleitos, ou seja, é na cidade que você sente o Poder.

Outro ponto é a consciência do munícipe que “a cadeira do poder” sempre estará ocupada, cabendo ao eleitor usar da sua principal ferramenta para exercer a opção de escolha, tendo responsabilidade de que muitas vezes a democracia é para evitar o “inferno” e não propor o “paraíso”. Nesse sentido, o viés monárquico para se manter ou entrar no Poder sobressai ao interesse maior (Res publica), confundindo o eleitor e até desmotivando-o a participar do processo eleitoral, notamos o jogo político em si (Politics) sendo pautado em grande escala nas campanhas pelos candidatos e a discussão de projetos e políticas públicas (Policy) para a sociedade não ter nenhum tipo de evidencia.

Observa-se que ambos (Politcs e Policys) são importantes para o eleitor em razão das ideologias e das prioridades enquanto as políticas públicas, no entanto a forma genérica, abstrata e a condutada nada republicana em debates, traz a lembrança de tempos da monarquia onde o interesse na Coisa Pública não era relevante.

É diante deste cenário que o eleitor brasileiro escolheu ou deverá escolher (cidades que terão segundo turno) os seus representantes em tempos atípicos de pandemia e com uma crise econômica severa, não esquecendo o dever de vigilância quanto a Coisa Pública uma vez que não somos onipotentes mais também não somos impotentes.

Levemos em reflexão o último dia 15, deixando no passado a monarquia e os candidatos que só buscam o poder e não valorizam o bem maior – Res publica!

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.