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Re(descobrindo) o cotidiano na gestão pública

Humberto Dantas

19 de agosto de 2020 | 14h29

Autora do texto:

Aline Costa Cavalcante de Rezende é graduada em Matemática e pós-graduada no Master em Liderança e Gestão Pública (MLG) pelo CLP – Liderança Pública. Atualmente é Coordenadora Geral de Recursos Humanos da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro,o que envolve gestão de pessoas e contratos com ações de planejamento estratégico, melhor utilização das verbas públicas e melhoria no atendimento.

No texto, Aline fala sobre como a gestão pública vem mudando desde o início da pandemia, principalmente ao ser obrigada a se readaptar. Segundo ela, isso abriu portas para que a inovação tome conta e para que sejam criadas novas formas de comunicação, transformando a cultura organizacional. Leia:

A pandemia tem exigido de todos mudanças significativas. De um momento para o outro o conceito de coletividade se tornou cada vez mais presente e importante em todos os espaços. Não é mais possível pensar somente em interesses e necessidades próprios.

É preciso pensar no todo, é preciso se re(descobrir). Para muitos foi necessário aprender a conviver consigo mesmo. Para o enfrentamento da pandemia surge a socialização de conhecimentos e de inúmeros dispositivos que geram uma dinâmica de ações públicas necessárias e cruciais para o momento. Uma inovação social, se
entendermos inovação pelo criar algo novo, modificar a cultura, costumes, crenças.

Não menos, essas modificações penetraram nos ambientes de trabalho, em nossas rotinas, nas organizações e, mudanças organizacionais começaram a surgir nos cotidianos da administração pública. Mudanças antes não pensadas, passaram a ser focos geradores de soluções em prol das necessidades atuais.

Isso nada mais é do que “inovar”. Surgiram latentes inúmeras oportunidades de impulsionar políticas capazes de dar respostas a meio a tantas incertezas, escassez de orçamento e burocracias. Situações intrínsecas ao cotidiano do setor público. Nesse contexto, a transparência, a comunicação e participação social tornam-se elementos centrais à gestão pública dentro dos setores e fora deles.

Apesar de um mundo informatizado, de grandes descobertas, o setor público ainda possui mecanismos de burocracia formal e operacional com muitas ações marcadas por engrenagens que se movimentam através de uma cultura organizacional muito forte, onde as rotinas de mecanizadas e setoriais, dificultam ainda mais em tempos de pandemia.

A pandemia colocou holofotes nessa engrenagem. Várias as situações vieram à tona: dificuldade de adaptação ao teletrabalho, gaps de conhecimento/habilidades para o uso de tecnologias, dificuldade de comunicação interna de forma a operacionalizar ações e disseminar informações de forma transparente, clara e objetiva para grandes grupos de servidores, além de um pequeno grupo presencial a trabalhar por muitos.

No entanto, apesar de todos esses pontos e muitos outros enfrentados, ocorreram avanços significativos. Percebe-se o esforço hercúleo de muitos setores em criar possibilidades de se adequar ao novo “novo”, melhoria de
fluxos e processos, novas formas de comunicação: menos protocolares, maior criatividade e parcerias, adequação de espaços e principalmente reformulação de práticas culturais de forma a melhorar o atendimento e propiciar formas de prestar atendimento tanto à população quanto aos seus servidores.

Aos poucos a inovação vai tomando conta e serviços antes só executados de forma presencial, sempre realizados da mesma forma, vão sendo adequados para a possibilidade online, criam-se novas formas de comunicação e se estabelece possibilidades antes jamais imaginadas e a transformação da cultura organizacional vai aos poucos ocorrendo.

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