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Quanto tempo você se dedica para ajudar novos líderes?

Jonathan Henrique Souza é diretor de projetos especiais na Secretaria de Desenvolvimento Social e gerencia um programa intersetorial de combate à extrema pobreza no estado, o Percursos Gerais. É pós-graduando pelo Master em Liderança Pública do CLP – Centro Liderança Pública, e Mestre em Inovação e Empreendedorismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

20 de julho de 2020 | 14h16

Sou um apaixonado por futebol, assim como milhares de brasileiros e de tantas outras pessoas espalhadas pelo mundo. Nasci em uma época em que não consegui ver de perto grandes jogadores realizarem suas façanhas em campo, por exemplo, Pelé, Garrincha, Tostão do meu amado Cruzeiro e por aí vai uma lista enorme de grandes craques. Uma grande discussão que existe é em torno da camisa 10 da seleção brasileira. Vestir a camisa 10 que um dia foi de Pelé representa uma enorme responsabilidade de conduzir uma seleção vencedora, representa estar no lugar de uma pessoa que foi três vezes campeã do mundo.

Você já parou para pensar sobre quem foi ou é o sucessor de Pelé? Quem Pelé preparou para ficar no lugar dele? Quem conduzirá os caminhos vitoriosos de uma seleção de ouro? A discussão de sermos melhores líderes nunca foi tão forte como nos dias de hoje. Buscamos nos espelhar em grandes guias, em pessoas que superaram dificuldades e alcançaram a glória de ganhar algumas “copas do mundo” em suas áreas.

Seja no privado ou no setor público, o anseio por se tornar um líder melhor é muito semelhante. Cursos de liderança, especializações, novas metodologias e uma infinidade de livros. O desejo de nos doarmos pela causa ou pela instituição nos motiva e nos move cada vez mais na direção do líder transformador, do sonho de liderança e de fazer a diferença para alguém.

É natural querer estar na linha de frente. Aliás, ser líder significa ir na frente, mostrar o caminho, puxar a fila, romper com status quo. Todos nós queremos ser o Pelé da nossa área, vestir a camisa 10 e conduzir um time a mais uma vitória. Todavia, fica pergunta: e depois que você pendurar as chuteiras, quem irá vestir a camisa 10?

Precisamos levantar um ponto muito importante para a transformação no setor público que todos desejamos ver, quem serão os líderes do amanhã? As buscas por transformações perenes no setor público passam sim por qualificar novos líderes para assumirem os projetos que estamos construindo hoje. Ajudar novos líderes, seja na sua área ou em outras, é manter vivo o sonho de país que estamos construindo hoje. Repassar o conhecimento que você adquiriu ou está adquirindo para a categoria de base é promover uma maturidade no setor público sem precedentes.

Aí vem a minha pergunta: você que está no time principal, quanto tempo você tem gasto para ensinar a categoria de base? Você tem acreditado na categoria que está iniciando os treinos? Você tem aberto espaço para novos talentos no seu time?

Às vezes você terá a chance de fazer o gol que Pelé não fez. Criar espaço para ajuda de base.

Aproveito para deixar o meu agradecimento a grandes técnicos e companheiros de time, profissionais mais experientes que me passaram um pouco de conhecimento de como funciona o “jogo”. Agradeço à Ana Maria e Evanilde por me ensinarem a ouvir mais e falar menos. Sérgio Mendes pelos conselhos sobre como lidar com a pressão no trabalho. José Maria por ensinar que problemas passam e oportunidades surgem. Mônica e Áurea por passarem grandes aprendizados de vida. Maurício por me ensinar como respeitar e garantir a diversidade, o que torna a sociedade mais forte. Camila por me lembrar que é possível articular a rede em busca de soluções. Luciano por me ensinar que o pensamento político diferente do meu faz parte da democracia. Agradeço a muitos dos colegas e professores por me ensinar como liderar e engajar uma equipe.

Agradeço ao MLG 4 por acreditar que a base é fundamental para ganhar o campeonato. Há alguns anos fui promovido e hoje estou no time principal, mas sigo acreditando na importância de reservar um pouco do meu tempo para ajudar a categoria de base. É o esforço da equipe, da colaboração e do pensamento coletivo que pode mudar qualquer partida, seja no tempo normal ou nas prorrogações.

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